Visões Sobre a Idade Média

E aí, galera do Me Salva!, tudo bem com vocês? Comigo tá tudo certo! Então, quer dizer que vamos dar uma olhadinha nesse loooooongo período chamado de Idade Média? Se liga que essa parte da História, tradicionalmente, é dividida em uma parcela de MIL ANOS de história. É, isso mesmo… Tempo para caramba, só que aqui vamos trabalhar de uma forma um pouco diferente. Essa apostila funcionará em conjunto com os módulos de Idade Média, ou seja, ela não pretende ser uma substituta das mídias presentes lá e nem, muito menos, um resumo dos conteúdos lá tratados, afinal de contas, ninguém faz um resumo – que funcione para nós – melhor do que nós mesmos. Aqui, na verdade, há uma forma mais processual de abordagem dos conteúdos, pois vamos tentar ver as coisas além das caixinhas em que as separamos. Algumas questões que foram tratadas nas mídias não serão tratadas aqui, e algumas coisas serão tratadas aqui e não nas mídias.

Bora desencanar! Não há MESMO (!!!) como conter tudo, então, vamos fazer um recorte e trabalhar detalhadamente as questões que são pertinentes aqui. Antes de qualquer coisa, vamos tentar ir além dos preconceitos estabelecidos pelos próprios historiadores no passado. Existem duas visões errôneas bem difundidas sobre a IDADE MÉDIA:

► Visão Clássica
► Visão Romântica

Visão Clássica

A visão clássica é aquele olhar disseminado pelos produtores de conhecimento dos períodos que vieram logo após à Idade Média: os intelectuais do Renascimento e do Iluminismo.

Surgiu aquela nomenclatura de idade das “trevas” ou “tenebrae”, que claramente faz referência à oposição entre “luz” e “trevas”, trazida pelo Iluminismo, representação da luta entre o “conhecimento” e a “ignorância”, retomada justamente pela valorização dos ideais da filosofia grega.

No pensamento produzido por esses intelectuais, era como se, antes do Renascimento, houvesse um tempo estéril à produção de conhecimento e ao progresso humano, um tempo MÉDIO, entre a Grécia Antiga e o próprio Renascimento.

Essa, com certeza, é uma visão muito atrasada a respeito da Idade Média, época em que, apesar do forte controle religioso exercido pela Igreja Católica, a produção do conhecimento existia, principalmente circulando em grupos fechados como a Maçonaria. Sem contar o cotidiano e as pessoas comuns; aldeões como Menocchio que, como relatado em “O Queijo e os Vermes”, de Carlo Ginzburg, tinham uma visão muito própria do universo, retirando-nos, por completo, aquele sentimento de ignorância e fé cega que seria presente no período.

Visão Romântica

A Visão Romântica é aquela que inverteu os conceitos produzidos pelos renascentistas, de forma que a Idade Média não teria sido uma época de “trevas” e sim, segundo esses românticos, especificamente do século XIX, uma época de paixão, exuberância e vitalidade. Esse período de fé, autoridade, tradição e sonhos teria sido insuperável e incrível. Isso é amplamente expresso na Literatura em obras como “Tristão e Isolda”, “O Corcunda de Notre-Dame” e as lendas do Rei Arthur, e nas Artes com o estilo arquitetônico neogótico, principalmente.

Proponho algo para vocês: nem céu e nem inferno. A Idade Média está, ainda, muito incompreendida, pois ainda oscila excessivamente entre o pessimismo renascentista/iluminista e a exaltação romântica. Convido-os a irmos além do que está posto e vermos a Idade Média além dela mesma.