A Unificação Italiana

A Itália pré-unificação era uma região formada por vários reinos governados por monarquias, em sua maioria despóticos e de origem estrangeira. Podemos imaginar que não existia uma Itália nessa época, pelo menos não como a conhecemos hoje. Tratava-se de uma região geográfica que foi dividida pelo Congresso de Viena em 1814 e, a partir de então, diversas dinastias passaram a exercer o controle da região.

O que foi o Congresso de Viena?
Foi uma reunião diplomática ocorrida na cidade de Viena em 1814 e que contou com a participação das potências que haviam derrotado o projeto expansionista da França de Napoleão.

Qual o objetivo desse Congresso?
Essas potências buscavam restaurar as monarquias absolutistas e redefinir o mapa político Europeu.

Quais eram essas potências?
Áustria, Reino Unido, França, Prússia, Império Russo, Reino da Suécia e outros reinos que formavam o continente Europeu, Reino de Sardenha e Gênova.

Se liga nos tópicos abaixo para entender como estava dividido o território italiano!

► O Reino Lombardo-Veneziano era governado pela família Habsburgo, de origem austríaca;

► Os Ducados de Toscana, Módena e Parma também eram administrados sob influência da Áustria;

► A região de Nápoles, onde se localizava o Reino das Duas Sicílias, era controlada pela dinastia dos Bourbon, descentes dos reis franceses;

No Norte, localizava-se o Reino de Piemonte-Sardenha, controlado pela poderosa dinastia de Savoia. É importante observamos que esse reino era o único independente, ou seja, não sofria influências estrangeiras;

► Não podemos esquecer dos Estados Pontifícios, domínio da Igreja e do Papa.

Quanta divisão, né? Achou complicado? Vamos observar o mapa a seguir:

Entendida essa divisão, vamos ao que interessa! O movimento de unificação vai começar.

Nós observamos que o Reino de Piemonte-Sardenha era o Estado mais independente de todos. Outro elemento importante era que ele concentrava grande parte da classe burguesa. Assim, fica claro entendermos que a região norte foi pioneira no desenvolvimento industrial e já contava com centros urbanos maiores que os das demais regiões. Era interesse desta burguesia a formação de um mercado nacional para ampliar o consumo de seus produtos, bem como para facilitar as transações comerciais com outras nações que já haviam realizado as suas unificações e formado um Estado Nacional.

O rei Carlos Alberto de Piemonte-Sardenha declarou guerra à Áustria em 1848, antes da luta pela unificação começar de fato, e acabou derrotado. Este fato é importante, porque a dinastia de Savoia percebeu, a partir de então, que era necessário ter um aliado forte para concretizar a expulsão dos austríacos da Itália. Foi sob o comando do rei Vítor Emanuel II, herdeiro do trono de Savoia, que tudo começou. Ele enviou o primeiro-ministro, conde de Cavour, para negociar com Napoleão III o apoio da França ao movimento de unificação.

A guerra teve início em 1859, quando os piemonteses, com apoio da França, conquistaram as regiões de Magenta e Solferino. Não durou muito tempo o apoio da França ao movimento, pois Napoleão III foi pressionado pela Prússia e por Católicos franceses que não viam com bons olhos a causa da unificação da região. Com isso o movimento perde força? Tarde demais, pois uma série de movimentos populares começou a se espalhar em diversos reinos e o maior deles conseguiu ocupar o Reino das Duas Sicílias. Esse movimento era chamado de “voluntários camisas vermelhas” e foi liderado pelo revolucionário Giuseppe Garibaldi, aquele mesmo que, antes disso, havia lutado na Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul durante o período regencial. Em 1861, aconteceu a tomada dos Estados Pontifícios e a formação do Reino da Itália. Só faltava, então, anexar as regiões de Veneza e Roma. Vamos analisar o que se passava nessas duas regiões:

Veneza era protegida pelos Austríacos;
A França protegia o Papa Pio IX e, consequentemente, Roma.

A tomada de Veneza foi possível porque, nesse meio tempo, ocorreu uma guerra entre a Prússia e a Áustria e estes foram obrigados a ceder o território. Em 1870, a Prússia entrou em uma nova guerra, agora contra a França. A França convocou às pressas as tropas que ocupavam Roma para o conflito, deixando o caminho livre para os italianos realizarem o “gran finale” de sua unificação.