A Unificação Alemã

O mesmo Congresso de Viena que havia dividido a região da Itália dividiu também o território alemão em 39 Estados que passaram a formar a Confederação Germânica. Ao contrário da Itália, os Estados que pertenciam à Confederação Germânica eram administrados por dois impérios, o Império da Prússia e o Império Austríaco.

Até aí tudo bem, só que, em 1834, a Prússia criou uma política de liberdade aduaneira que ficou conhecida como Zollverein. Boa parte dos Estados participou desse acordo e é claro que a Áustria não só não gostou, como também boicotou a associação. Os anos se passaram e, lá por volta de 1860, já se notava os resultados da política econômica do Zollverein. As cidades se transformaram em distritos industriais ligados por ferrovias que transportavam minérios, como ferro e carvão, e alimentavam as indústrias siderúrgicas – e as indústrias mecânicas e metalúrgicas, mais tarde. Diante do desenvolvimento industrial da região pertencente à Prússia, a Áustria até tentou rever sua posição e fazer parte da associação, mas já era tarde.

Em 1862, foi nomeado como primeiro-ministro da Prússia Otto Von Bismarck, um fiel defensor dos princípios militaristas e partidário da unificação das duas regiões. Para que isso viesse acontecer, Bismarck reorganizou militarmente a Prússia, aumentando o efetivo do exército e ampliando o poder bélico.

O processo de unificação da Alemanha passou por três etapas, ou melhor, por três conflitos. Vamos entender cada um deles?

Guerra dos Ducados (1864): a Confederação Germânica – isto é, Prússia e Áustria – conquistaram os ducados de Schleswig e Holstein nesse primeiro conflito. Os dois ducados eram habitados por alemães, mas estavam sob o domínio da Dinamarca, que acabou cedendo a região;

Guerra Austro-Prussiana (1866): os ducados conquistados foram divididos, ou seja, cada lado da Confederação ficou responsável por um. A Prússia ficou insatisfeita com a divisão e declarou guerra à Áustria, que foi facilmente derrotada. A Prússia conseguiu o que queria, ficou com os dois condados, e a derrota austríaca resultou na concessão de Veneza à Itália (lembra da unificação italiana?). Outros territórios que pertenciam ao domínio da Áustria aderiram à Prússia, formando a Confederação Germânica do Norte (1867), presidida, é claro, pelo rei da Prússia, Guilherme I;

Guerra Franco-Prussiana (1870): o desenvolvimento econômico da Prússia, somado ao desejo de unificação de todo o território germânico, não foi visto com bons olhos pela poderosa França. Claro, a unificação alemã representava uma ameaça à hegemonia econômica e militar francesa na Europa Continental. Napoleão III bolou um plano diplomático para intervir na região, de maneira bem-educada e tranquila solicitou à Prússia que os territórios do Sul não fossem unificados com o norte, pois o sul deveria ser concedido para a área de influência francesa. É claro que Guilherme I e Bismarck usaram essa proposta para unir todas as regiões germânicas contra o inimigo.

A guerra ainda não tinha começado, faltava um estopim. Em 1870, o trono da Espanha tinha vagado por causa de uma revolução interna e a sucessão foi oferecida a Leopoldo de Hohenzollern, príncipe parente do rei prussiano Guilherme I. Napoleão III pulou de raiva e exigiu a retirada da candidatura, mas a exigência não foi atendida. Agora, temos o estopim; a França declarou guerra.

O poderoso exército de Bismarck estraçalhou o exército imperial francês e fez de Napoleão III seu prisioneiro. No ano de 1871, Guilherme I foi proclamado imperador da, agora unificada, Alemanha. O ponto mais importante dessa história ocorreu com o Tratado de Frankfurt, que foi um acordo de paz após o conflito. A França, além de pagar uma amarga indenização, foi obrigada a ceder o território de Alsácia-Lorena, rico em jazidas minerais, para a Alemanha. Esse fato fomentou o revanchismo francês e se constituiu em um dos principais motivos para o estopim da Primeira Guerra Mundial.

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