O Teatro de Gil Vicente

Um dos escritores mais clássicos da literatura portuguesa e sobre o qual, na verdade, temos poucos dados por falta de documentos históricos. Acredita-se que ele teria nascido em 1465 e não se sabe a data de sua morte.

Gil Vicente foi o introdutor do teatro em Portugal. O autor ficou muito famoso por ter adentrado a corte de Portugal e feito um monólogo de homenagem ao nascimento do herdeiro do Rei Dom Manuel, em 1502.

O teatro dele, apesar de ter começado com textos elogiosos à corte portuguesa, é muito marcado pela crítica social. Em suas peças, fica evidente uma visão ácida da sociedade portuguesa e uma perigosa acusação da hipocrisia dos religiosos, que agiam de forma bem diferente daquilo que pregavam.

Gil Vicente era um homem muito religioso e um bom propagador da fé católica. Em um período em que a visão de mundo já era mais antropocêntrica, o dramaturgo ainda estava muito preso ao moralismo religioso e à noção de pecado. Ele não criticava a Igreja, mas sim a postura inadequada dos padres.

A peça mais famosa do autor é o Auto da Barca do Inferno. Uma obra que é um julgamento, uma crítica feroz e uma sátira impiedosa de figuras da sociedade portuguesa. Percebemos isso no enredo da peça, que traz a narrativa de mortos que chegam para embarcar rumo à vida pós-morte. Temos duas barcas na história; uma delas vai para o inferno e a outra para o céu. A crítica do autor está centrada nos passageiros da barca que vai para o inferno: nela estão juízes, aristocratas, frades, padres, agiotas e um sapateiro desonesto. E na barca que vai para o céu temos pouquíssimas pessoas! A crítica fica evidente se pensarmos que os juízes, responsáveis por aplicar as leis, e os padres, responsáveis pela manutenção da ordem moral, ocupam na barca o mesmo espaço de agiotas.

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