Semana de Arte Moderna

O gosto pela Arte Acadêmica apenas seria abalado, no Brasil, através de artistas, isolados ou reunidos em movimentos artísticos, que, no começo do século XX, começaram a apresentar ao público brasileiro obras de arte influenciadas pelas Vanguardas Artísticas que estavam acontecendo na Europa.

O mais marcante destes movimentos foi, sem dúvida, a Semana de Arte Moderna, ocorrida em São Paulo, em 1922. No entanto, antes de nos determos neste evento, vamos compreender as condições que propiciaram o seu surgimento. Como fato principal para sua realização, precisamos voltar a 1917, ano da exposição individual da artista Anita Malfatti, chamada Arte Moderna Anita Malfatti. Nesta mostra, ela apresentou as pinturas realizadas durante a sua estadia na Europa e nos Estados Unidos, onde teve contato e assimilou aspectos da Arte Moderna.

Um importante crítico de arte da época, Monteiro Lobato, ficou profundamente incomodado com as obras de Malfatti. Lobato possuía um gosto artístico tradicional e, embora apreciasse as temáticas locais nas pinturas, detestava as inovações estéticas propostas pela Arte Moderna. Seu artigo chamado Paranóia ou Mistificação foi um ataque violento à exposição de Malfatti em particular, e a Arte Moderna de um modo geral. Para ele, essas obras não possuíam valor algum. Após essa crítica, Anita Malfatti desistiu do caminho das inovações artísticas e retomou um modo de pintar mais tradicional.

Embora a sua exposição tenha desagradado a uma parcela mais conservadora da sociedade, alguns intelectuais, com concepções artísticas mais abertas às novidades, ficaram positivamente entusiasmados com essas obras. Dentre eles, podemos citar Oswald e Mário de Andrade. A partir disso, surgiu a ideia de realizar a Semana de Arte Moderna. O principal desejo desses artistas era a ruptura com a Arte Acadêmica do século XIX, e a vontade de renovação do cenário artístico brasileiro. Renovação baseada nas inovações propostas pelas Vanguardas Artísticas Européias e pela atenção à cultura popular brasileira.

Por isso, a Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 13 e 18 de fevereiro, teve a participação de diversos escritores e poetas, tais como Graça Aranha, Manuel Bandeira, Oswald e Mário de Andrade; músicos como Villa-Lobos e artistas como Anita Malfatti (que apresentou novamente suas pinturas exibidas em 1917), Victor Brecheret e Di Cavalcanti, que apresentaram ao público paulistano aquilo que de mais novo estava sendo pensado e produzido em termos artísticos.

Di Cavalcanti realizou também todo o material gráfico para o evento, como pode ser observado na imagem ao lado.

Nas esculturas de Victor Brecheret, como, por exemplo, Soror dolorosa, notamos não apenas a simplificação dos elementos, ou sua estilização, mas também o modo como o próprio material foi trabalhado pelo artista. Observem como algumas partes da escultura parecem inacabadas, nos lembrando algumas esculturas desenvolvidas durante o Impressionismo. Ao mesmo tempo em que a dramaticidade dos rostos nos lembra o Expressionismo.

Será preciso dizermos que a recepção do público não foi das mais positivas?

Vaias marcaram várias das apresentações musicais e das declamações de poemas. Da mesma forma, as Artes Plásticas estavam longe de ser apreciadas naquele momento. Embora tenha sido um evento pontual e apenas lentamente “digerido” pela sociedade, a Semana de Arte Moderna foi um marco importante para uma primeira tentativa de mudanças no cenário artístico nacional e, sem dúvida, foi uma grande influência para muitas propostas artísticas seguintes.