Segunda Guerra Mundial

Com o término da Primeira Guerra, acreditava-se que a recém-criada Liga das Nações (1919) seria responsável pelo fim dos conflitos bélicos ao propor o diálogo internacional. Estavam todos equivocados. O período entreguerras (1918-1939) se demonstrou um estágio de preparação para um novo conflito bélico mundial. Vamos analisar a conjuntura: forte unidade entre Inglaterra e França firmando poder hegemônico sobre as questões diplomáticas e econômicas na Europa; a Alemanha militarizada buscando expansão territorial e revanche da humilhação sofrida pelo Tratado de Versalhes; a URSS consolidando um modelo alternativo ao capitalismo e influenciando movimentos operários e revoluções sociais para além do seu território; os EUA conquistando status de primeira economia do mundo e postura de neutralidade. O clima era de hostilidade por todos os lados.

O primeiro ensaio da Segunda Guerra se deu na Espanha, quando a Itália e a Alemanha apoiaram o general Francisco Franco na luta contra o governo em vigor, formado por forças de esquerda. Nesse conflito, os alemães e italianos testaram seu poder bélico ao utilizar armamentos, tanques e aviões. A Guerra Civil Espanhola durou de 1936 a 1939, quando o general Franco tomou o poder e implantou um regime próximo ao fascismo de Mussolini. A formação do bloco internacional nazifascista iniciou, também, com a Guerra Civil Espanhola, em 1936, quando foi acordado o Pacto Anti-Komintern (Anticomunista), assinado por Alemanha, Itália e o Japão, para evitar que a revolução bolchevique se espalhasse. Nascia, assim, o Eixo.

Blitzkrieg: Avanço do Eixo

O plano de expansão da Alemanha fundamentado na “doutrina do espaço vital” visava à integração das comunidades alemãs espalhadas pela Europa, como Áustria e os Sudetos (região da Tchecoslováquia), e também a conquista da Polônia e Ucrânia. O plano foi calculado por etapas que começaram a ser cumpridas em 1938, com a anexação da Áustria, processo conhecido como Anschluss. Em seguida reivindicou a anexação dos povos germânicos que viviam nos Sudetos. A Conferência de Munique foi realizada naquele mesmo ano para evitar futuros conflitos. Nesta reunião, Inglaterra e França defenderam posições de apaziguamento e – sem interferir – aceitaram a Anschluss e a anexação dos Sudetos.

Em 1939, Hitler e Stalin assinaram um pacto de não agressão entre Alemanha e URSS. Com isso, ambas as nações ganharam tempo para se preparar para futuros confrontos que pareciam inevitáveis. Na sequência, a Alemanha invadiu a Polônia, que não teve chances de resistir ao poderio bélico do inimigo. Detalhe importante: a Polônia era aliada da Inglaterra, que era aliada da França! Por obviedade, as duas potências, que tinham adotado posições pacíficas até então, declararam guerra à Alemanha e, assim, começou a Segunda Guerra Mundial.

A Alemanha não parou por aí. O exército adotou a tática da Blitzkrieg (ataque-relâmpago), que consistia em ataques fulminantes por todas as frentes possíveis, atingindo a Noruega, Bélgica, Holanda, Dinamarca e parte da França. Achou pouco? Tem mais: a Alemanha auxiliou a Itália na invasão à Grécia e aproveitou a oportunidade para dominar a Iugoslávia. O bonde do Eixo Roma-Berlim-Tóquio (Itália-Alemanha-Japão) estava formado.

Reação dos Aliados

O exército alemão tentou invadir o território inglês, mas foi derrotado e perdeu boa parte de sua força área. Surpreendido na Inglaterra, Hitler se voltou contra a URSS, quebrando o pacto de não agressão.

Ocorreram dois fatos importantes em 1941: a invasão da Alemanha na URSS e o ataque japonês à base norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA eram até então, nas palavras do presidente Franklin Roosevelt, o “arsenal das democracias”, pois davam auxílios econômico e militar aos parceiros, Inglaterra e França. Outro bonde então se formou, o dos Aliados (Inglaterra, França, URSS e EUA).

A invasão do exército alemão na URSS foi cruel e implacável. A partir desse momento, já podemos falar em “Guerra Total”, que significa que os conflitos se estenderam a todos os recursos, isto é, contingentes humanos de soldados e também civis, setor industrial, agrícola e tecnológico. Todos os setores estavam mobilizados para a guerra. A ordem da Alemanha era a invasão para a destruição de tudo e de todos. No início, a invasão se deu por três rotas: em direção ao norte, para ocupar Leningrado; ao sul, para controlar os campos e destruir a produção agrícola; e ao centro, para invadir Moscou. Antes de cada rota chegar ao destino, Hitler ordenou que todas as fileiras se reunissem para atacar Moscou. A resistência dos soviéticos foi bem-sucedida em Moscou. A opção foi marchar para Stalingrado, que era a região mais industrializada da URSS. Ao chegar na cidade, as tropas nazistas foram cercadas pelo exército soviético, que conseguiu bloquear as rotas invadidas e evitar a chegada de reforços alemães. Era o cerco de Stalingrado e a rendição do exército alemão. Podemos perceber que a Batalha de Stalingrado e a virada Soviética foram decisivas para o declínio do Eixo e o desfecho da Segunda Guerra.

Percebemos que os Aliados viraram o jogo a partir de 1942 e o Eixo passou a acumular derrotas. Em 1943, o Exército alemão foi recuado pelo Exército soviético até Berlim. Em 1944, os Aliados desembarcaram na Normandia, costa norte da França, para expulsar as tropas do Eixo. Era 6 de junho e o dia ficou conhecido como Dia D, de decisivo. A missão foi bem-sucedida e a Alemanha e a Itália sofreram novas derrotas, agora pela frente ocidental. Ainda em 1944, ocorreu a “libertação de Roma” e Benito Mussolini tentou escapar. Antes que o líder conseguisse fugir de fato, grupos antifascistas italianos o capturaram e o fuzilaram em praça pública. Em 1945, as forças soviéticas e americanas encurralaram o Exército nazista e ocuparam a Alemanha. Em 7 de Maio, a Alemanha rendeu-se por definitivo e Adolf Hitler cometeu suicídio.

Faltava, ainda, o Japão. Os EUA e a Inglaterra ocuparam a região em 1945, após a realização dos bombardeios atômicos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Era o fim do Eixo e, consequentemente, o fim da Segunda Guerra Mundial.

O Desfecho

Conferência de Ialta: os Aliados reuniram-se em Ialta, na URSS, para redefinir o mapa mundial no pós-guerra. A Alemanha foi dividida em zonas de influência da Inglaterra, EUA e URSS;

Conferência de Potsdam: a Alemanha rompeu com o nazismo e, sob acordo com os Aliados, criou-se o Tribunal de Nuremberg para julgar os crimes de guerra.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, a humanidade pensou que iria viver tempos de paz e tranquilidade. Doce ilusão: as duas grandes potências vencedoras do conflito, EUA e URSS, iriam iniciar um novo tipo de conflito mundial. De 1945 até 1991, o mundo viveu o período da chamada Guerra Fria. Mas isso fica para outro momento. Até a próxima!

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