Revolução Industrial – Fatores

A partir de agora, estudaremos a chamada Revolução Industrial, que constitui um fenômeno de natureza econômica dos séculos XVIII e XIX. Como elemento essencial desse fenômeno, destaca-se a substituição da produção artesanal e manufatureira pela produção industrial. Ao longo do capítulo, estudaremos as características, os antecedentes, as consequências e, ainda, as etapas da Revolução Industrial. Observem o esquema abaixo:

Evolução Tecnoindustrial

Sob uma perspectiva histórica, a atividade industrial – transformar matérias-primas em mercadorias – passou por diferentes etapas no que diz respeito aos aspectos técnicos e de organização do trabalho (COTRIM, 2012, p.356). Inicialmente, a atividade industrial era artesanal, manual e realizada em pequena escala. Posteriormente, a produção evoluiu para a manufatura, em que os artesãos – que anteriormente dominavam praticamente todas as etapas de produção – tornaram-se partes de uma linha de produção e montagem dentro das grandes oficinas (manufaturas). Os avanços técnicos e o aperfeiçoamento
dos métodos produtivos contribuíram para a emergência da produção mecanizada (maquinofatura), caracterizada pela utilização de máquinas em substituição às ferramentas, pela produção em grande escala e pelo emprego do trabalho assalariado.

Pioneirismo Inglês

Uma pergunta recorrente ao tema da Revolução é: por que aconteceu primeiramente na Inglaterra?

“Uma conjunção muito específica de fatores levou a Inglaterra a ser o berço do capitalismo em sua forma madura e o primeiro país a industrializar-se. Esses fatores foram de ordem geográfica, econômica, política, social e cultural.” (FUNAG, 2012)

Fatores Geográficos

Vocês devem lembrar que a Inglaterra, por possuir uma posição geográfica insular, teve seu território preservado das guerras. Além disso, o território inglês ofertava os recursos naturais necessários para a industrialização, como o carvão (fonte de energia para as fábricas) e o ferro (matéria-prima essencial para a produção de bens industriais).

Fatores Econômicos

Economicamente, é possível destacar três pontos: a acumulação de capitais, os créditos financeiros e os cercamentos. Conforme dito, os Atos de Navegação (1651) foram fundamentais para a Inglaterra se consolidar como a Senhora dos Mares, contribuindo para o aumento das trocas comerciais e do um acúmulo de capitais (HILL, 1991). Esses capitais foram multiplicados pelo sistema financeiro inglês – que de longe era o mais desenvolvido da Europa1 –, reinvestindo-os nas atividades industriais e na modernização dos métodos de produção agrários2. No que diz respeito aos cercamentos (enclosures) – apropriação das terras comunais por parte de uma nobreza mercantilizada –, pode-se dizer que geraram um aumento do êxodo rural que, por consequência, resultou no aumento da oferta de mão de obra para as indústrias urbanas nascentes. Em resumo, os antecedentes econômicos da Revolução Industrial estão relacionados à ascensão da burguesia inglesa, que foi responsável pela expansão do comércio e pela modificação da estrutura agrária.

1 Em 1694, por exemplo, ocorreu a fundação do Banco da Inglaterra.

2 Como exemplo, é possível mencionar a introdução de máquinas agrícolas, como arados, grades, debulhadoras e ceifadeiras mecânicas. Esse processo levou a um incremento na produtividade e à redução do contingente de trabalhadores rurais (COTRIM, 2012, p.357).

Fatores Políticos e Sociais

Politicamente, as Revoluções Inglesas – a de 1640 e a Gloriosa (1688) – colocaram a burguesia como um ator proeminente, proporcionando que ela governasse em prol do desenvolvimento das atividades comerciais, financeiras e manufatureiras. Ideologicamente, os pensadores iluministas e o liberalismo econômico condenavam o modelo mercantilista vigente e defendiam a consolidação do capitalismo como modelo legítimo. Esses dois fatores, combinados às inovações técnicas, colocaram a Inglaterra como centro do novo sistema político e econômico que nascia (FUNAG, 2012, p.27).