Resistência Negra e Movimentos Nativistas

As rebeliões e conflitos com escravizados atravessaram todo o período colonial e se estenderam até a abolição da escravatura, em 1888 – não acabando, obviamente, as lutas do povo negro. Essas batalhas sociais se estendem até hoje, basta olharmos para o Brasil atualmente: dos 30 mil jovens assassinados todos os anos, 77% são negros; há um extermínio DESCARADO da negritude jovem no país.

Naquela época, depois de tanto mal causado na exploração escravagista, eram comuns os casos de suicídio, de fugas, de abortos provocados pelas escravizadas, assim como a reação dos oprimidos de assassinatos de senhores, feitores e capitães-do-mato.

Revoltas e fugas coletivas nos engenhos eram frequentes, principalmente no século XVIII, quando houve vários levantes urbanos. Na resistência à opressão branca, os escravizados negros também se organizaram coletivamente e formaram quilombos. Há registros desses núcleos autônomos de negros que fugiam do cativeiro em praticamente todas as áreas do Brasil. Onde esteve presente a escravidão, o quilombo se fez presente; o mais conhecido e famoso é o Quilombo de Palmares.

Formado na região do atual Estado de Alagoas por volta de 1630, Palmares foi uma confederação de quilombos organizada sob a direção de Zumbi, o chefe guerreiro e Dandara, considerada igualmente importante na liderança dessa comunidade. Os palmarinos praticavam a policultura: plantavam milho, feijão, mandioca, batata-doce, banana e cana-de-açúcar. Também criavam galinhas e suínos e conseguiam um excedente de produção que era trocado nos povoamentos vizinhos, pacíficos aos quilombos. A fartura de alimentos em Palmares é um dos fatores fundamentais de sua resistência. Se liga! O Palmares chegou a reunir 30 mil habitantes e resistiu às investidas militares dos brancos por 65 anos! Seis décadas de resistência, sendo destruído somente em 1694, quando a coroa usou praticamente todas as forças militares que tinha, arrasando a região. Veja como não é mera coincidência Alagoas ter o pior IDH do país (IPEA, 2016). Há aí uma questão histórica.

Movimentos Nativistas

Foram movimentos regionais de oposição ao domínio luso. Exigiam reformas setoriais e não apresentavam projetos de separação política de Portugal.