República Oligárquica

Trata-se do segundo período da Primeira República e recebe essa denominação devido ao poder político estar sob o controle das oligarquias rurais. Você deve estar se perguntando, o que é uma oligarquia? O significado desta palavra consiste em “governo de poucos”. Se estamos falando de oligarquias rurais, isto quer dizer que estamos nos referindo ao período em que o país foi governado por um grupo político ligado ao latifúndio, ou seja, aos grandes proprietários de terra. Neste período, o país foi governado por 11 presidentes entre os anos de 1894 e 1930.

Coronelismo

A consolidação da República manteve a mesma estrutura agrária dos tempos do Império, isso porque as oligarquias rurais configuravam uma força importante do movimento republicano. Neste período, 70% da população morava no campo e dividia-se entre uma camada camponesa marginalizada e os proprietários rurais.

Como vimos, a Constituição de 1891 garantiu o direito ao voto, mas este era restrito aos homens alfabetizados acima de 21 anos. Neste meio rural, os fazendeiros acabavam por controlar as eleições, devido a ausência de uma Justiça Eleitoral, e eram conhecidos como coronéis. O coronel garantia a seus agregados a alfabetização (para estes terem direito ao voto), auxílio em caso de doenças e protegia suas famílias de qualquer confronto. Em troca, os camponeses garantiam o voto no coronel ou em algum candidato indicado por ele. Este voto era exercido abertamente e muitas vezes sob chantagens e ameaças. Este voto controlado pelos poderosos recebeu o apelido de “voto de cabresto” em referencia à corda de couro que puxava o cavalo.

Existia alguma diferença entre o coronel e o oligarca? Sim, embora ambos pertencessem a mesma classe, o coronel era assim conhecido por comandar a política local e o oligarca exercia influência a níveis estadual e federal.

Este sistema político, marcado pelo poder dos coronéis, ficou conhecido como coronelismo.

Política Café com Leite

O início da República Oligárquica foi marcado pelas disputas entre as oligarquias dos principais estados brasileiros. São Paulo, que era o maior produtor de café, e Minas Gerais, que tinha o maior colégio eleitoral e era o maior produtor de leite. Para apaziguar essa disputa, o presidente Campos Salles (1898-1902) elaborou um grande acordo político que ficou conhecido como Política dos Governadores. Esta política consistia no apoio mútuo entre coronéis, oligarquias e governo federal. Por exemplo, o governo federal só reconhecia a vitória dos deputados que prestassem apoio ao governo, desta forma, os candidatos de oposição não eram diplomados.

Como consequência, o PRP (Partido Republicano Paulista) e o PRM (Partido Republicano Mineiro) constituíram uma forte aliança que resultou no revezamento do governo federal. Até 1930, estes dois estados elegeram quase todos os presidentes. Podemos dizer que a Política dos Governadores gerou a Política do Café com Leite.

Economia Agro-Exportadora

Galera, já vimos que o poder político estava nas mãos dos grandes proprietários rurais, mas o que estas propriedade rurais produziam? A resposta é CAFÉ, CAFÉ e mais CAFÉ. A economia brasileira consistia em um modelo agrário exportador e, para isso, foi necessário construir uma política de valorização do café.

No início do séc. XX, o Brasil produzia tanto café que, por vezes, superava a necessidade do mercado mundial. Quando isso ocorria, o país sofria crises de superprodução. Para superar estas crises, os governos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro elaboraram um grande acordo que ficou conhecido como Convênio de Taubaté. Neste convênio, os estados se comprometiam a comprar todo o excedente da produção, ou seja, a parte da produção que não conseguissem vender. É claro que esta política favorecia apenas os grandes cafeicultores, pois garantia os ganhos dos produtores e socializava os prejuízos. O Convênio de Taubaté foi posto em prática durante o governo do presidente Afonso Pena em 1906.

Ao lado do café, outros produtos foram importantes durante a República Oligárquica. Podemos citar o ciclo da borracha (1879-1912) na região da Amazônia, local onde se encontravam as maiores reservas de seringais. Utilizando a mão de obra nordestina, a produção de borracha brasileira abastecia a indústria de bicicleta e automóveis do Estados Unidos e da Europa. Já no estado da Bahia, consolidou-se a produção do cacau que abastecia a indústria mundial de chocolate.

Surto Industrial

A acumulação de capitais proveniente da economia cafeeira e a necessidade de diversificação da economia brasileira geraram um surto industrial no início do sec. XX. Veja bem, ainda não podemos falar em política de industrialização, pois não tínhamos, neste período, um projeto governamental de incentivo a indústria.

As primeiras fábricas que surgiram configuraram a chamada indústria leve, ou seja, a produção de bens de consumo têxteis e alimentícios. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1919), o Brasil acelerou o surto industrial.

Este processo é marcado pelo surgimento de novos atores sociais: a burguesia industrial e o proletariado urbano. A burguesia consistia nos proprietários das fábricas e o proletariado era formado por imigrantes assalariados.

Consequentemente, as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro viveram um período de crescimento e urbanização marcado pela construção de grandes avenidas, surgimento do transporte de bondes e iluminação pública.