Reforma Protestante

A Igreja Cristã vinha perdendo forças no mundo político há um bom tempo. Desde o início dos primeiros pensamentos humanistas, da força da renascença e de outros movimentos importantes para esse período, a influência da Igreja foi sendo abalada. Mesmo com esses movimentos involuntários, pautados mais por estratégias científicas, houve uma série de movimentos precisamente religiosos e políticos que fizeram o poderio da Igreja diminuir bruscamente, até quase acabar (quase, pois o cristianismo católico ainda se perpetua nas sociedades contemporâneas ocidentais e orientais mas, obviamente, com uma força muito menor do que a que tinha na Idade Média). Vejamos alguns processos históricos que ocorreram no período moderno e que agravaram a crise da Igreja:

Reforma Luterana

Em 1517, o papa Leão X lançou um documento permitindo o perdão de pecados para pessoas que doassem uma boa quantia de dinheiro para a Igreja, a fim de reconstruir a Basílica de São Pedro, sede da Igreja Católica. Martinho Lutero, membro da Igreja, mas sempre muito crítico a ela, ficou perplexo com essa ação e pregou na porta da igreja de Wittenberg (local em que hoje fica uma cidade da Alemanha, mas que, na época, ainda não era um país) 95 teses. Essas teses eram documentos em que deixava clara a sua posição sobre aqueles problemas da Igreja Católica.

Lutero ganhou, aos poucos, adeptos entre as elites daquele período e difundiu uma nova igreja, que protestava contra a Igreja. O Estado impedia que uma nova religião fosse criada e, por isso, os seguidores de Lutero protestaram, em 1529, contra essa medida. Ficaram, então, conhecidos como Protestantes, aqueles que eram cristãos mas não católicos.

Reforma Calvinista

João Calvino (1509-1564) foi um político e religioso importante na França e na Suíça. Disseminou a ideia de que o ser humano era “predestinado” por Deus a viver eternamente no céu ou no inferno, não tendo grande importância suas ações na Terra. Por isso, mais do que se importar com o que poderia acontecer com cada um de nós no futuro, Calvino disseminava a lógica de que as pessoas precisavam se preocupar com o presente, com suas vidas, suas condições financeiras, etc. Isso, na prática, influenciava as pessoas a consumirem mais, a agirem conforme um sistema econômico que estava começando a surgir. É desse movimento que surgiu a frase “tempo é dinheiro”, significando que as preocupações da vida devem ser materiais, já que o metafísico já está planejado pela divindade. A reforma calvinista foi duramente perseguida pelo catolicismo,
assim como a reforma luterana.

Reforma Anglicana

Entre 1509 e 1547, a Inglaterra foi governada por Henrique VIII, um rei que se mostrou aliado do papa por certo tempo, mas que parou de dialogar com a Igreja católica por motivos políticos.

Quando o rei decidiu se separar de sua esposa, Catarina de Aragão, o papa não concedeu o divórcio – sim, isso era importante para aquele período, diferente de hoje, em que cada pessoa decide se casa ou se “descasa”. Como rei, Henrique não aceitou a negação, criando uma situação política complexa, em que o parlamento Inglês e o Alto Clero daquele país reconheceram a separação de Henrique e Catarina, sendo que este rei conseguiu se casar novamente, na Igreja, com outra mulher, Ana Bolena. Isso significou, na prática, que a Igreja oficial Britânica deixou de ser a Igreja Católica. Em seu lugar, Henrique VIII instaurou a Igreja Anglicana, que, nesse primeiro momento, cultivava os mesmos dogmas da católica, diferindo apenas no que dizia respeito à organização política. Somente alguns anos depois, no governo de sua sucessora, Elizabeth, é que a Igreja Anglicana iria mesclar elementos da Católica e da Protestante.

Agora, uma pergunta: você acha que a Igreja iria ver todas essas reformas de camarote sem ao menos questionar? É claro que não! Havia, no interior da Igreja Católica, uma Contrarreforma, um movimento que se dedicava a combater os que desejavam aderir aos reformistas. O movimento foi cruel, envolveu uma diversidade de ações violentas e culminou em conflitos sangrentos, até que a Igreja chamou um Concílio, uma reunião para o clero discutir os rumos da Igreja. Este foi o Concílio de Trento, que durou quase 20 anos, sendo o maior e mais longo concílio da Igreja Católica.

Já imaginou uma reunião que durasse 20 anos? Esse concílio foi muito importante, pois foi a partir dele que a Igreja se adaptou aos novos modelos sociais que estavam se estabelecendo.