Questões e a Proclamação da República

Galera, para compreendermos como viramos a página do Reinado e nos tornamos uma República, é importante estarmos conscientes de que nenhuma mudança política ocorre do dia para a noite. Temos que ficar atentos para os diversos acontecimentos, crises e conflitos que levam um país a rumar para um modelo político diferente. No caso do Brasil, a Proclamação da República foi possível devido a uma série de questões que marcaram a crise da monarquia durante o Segundo Reinado. Vamos entender essas questões? Se liga:

Questão Militar

A partir de 1870, o Exército brasileiro retornava vitorioso da Guerra do Paraguai (1864-1870) e, perante a sociedade, a popularidade das Forças Armadas estava bombando. Até aí tudo bem, mas acontece que muitos recrutas e combatentes eram escravos e, após o conflito, passaram a defender a própria liberdade. Isso fez com que muitos militares se tornassem simpáticos à causa abolicionista que começava a chegar no Brasil. Diante disso, a Monarquia impôs uma medida que impedia os oficiais do exército de conceder entrevista à imprensa sem prévia autorização do Ministro da Guerra. Pra piorar, a monarquia passou a cortar as verbas para as Forças Armadas devido aos altos gastos militares durante a guerra. Deu treta! Os militares passaram a se preocupar com o desprestígio perante ao governo monárquico. Aí, já podemos entender porque as ideias republicanas ganharam força dentro do Exército.

Questão Religiosa

A Igreja Católica sempre teve fortes vínculos com o Brasil desde os tempos da Colônia. Durante o Reinado, isso não foi diferente; a Constituição de 1824, outorgada por Dom Pedro I, estabelecia o catolicismo a religião oficial do país. Como nem tudo são flores, essa relação vai entrar em crise no final do sec. XIX. Se liga nessa: o papa Pio IX, preocupado com uma possível perda de influência da Igreja para outras instituições, enviou um documento ao Brasil chamado Bula Syllabus. Entre outras coisas, essa Bula determinava que todos os membros da Maçonaria fossem excomungados da Igreja. Outra treta! Com fortes ligações com a Maçonaria, Dom Pedro II promulgou uma ordem na qual não reconhecia o documento do Papa. E, ainda por cima, os bispos de Olinda e Belém, que optaram por acatar a ordem de Pio IX, sofreram uma série de represálias do governo monárquico. A partir daí, a monarquia perdeu o apoio de mais uma instituição que anteriormente pertencia à sua base de sustentação política, a Igreja.

Questão Republicana

As ideias republicanas já haviam embasado diversos movimentos anteriores ao séc. XIX, como por exemplo, a Inconfidência Mineira, a Revolução Pernambucana de 1817 e as revoltas do período regencial. Mas, é a partir de 1870 que os republicanos começaram a se organizar de forma mais contundente. Neste ano, ocorreu o lançamento do Manifesto Republicano, que continha diversas denúncias aos abusos da Corte e defendia a instalação de uma República Federativa. No estado de São Paulo, em 1873, foi fundado o PRP (Partido Republicano Paulista) por cafeicultores do Oeste que defendiam maior autonomia para as províncias. Além do PRP, havia outros republicanos que atuavam dentro do Partido Liberal, estes defendiam a abolição da escravidão e um sistema universal de ensino. Teve aqueles que tardaram a aderir o movimento, estes ficaram conhecidos como republicanos de ultima hora. Quem eram eles? As oligarquias que ficaram insatisfeitas com a abolição da escravidão em 1888 e, por desgosto com a monarquia, tornaram-se republicanos.

E quais eram os setores que lançaram o Manifesto em 1870 e que atuavam no movimento? Conforme já vimos, setores do exército, cafeicultores do Oeste paulista, religiosos descontentes e, somados a eles, jornalistas, poetas e intelectuais influenciados pelas ideias positivistas.

POSITIVISMO: Corrente filosófica que surgiu na França no séc. XIX e que pregava a ideia de que o progresso da humanidade dependia dos avanços científicos. Desta forma, era preciso construir Estados governados por quadros técnicos e científicos. Se liga, o lema “Ordem e progresso” da bandeira da República tem forte influência positivista.

A Proclamação da República

Apesar do crescimento do movimento republicano, que contou com a adesão de setores sociais importantes no final do séc. XIX., estes procuravam um líder de prestígio para liderar o movimento e a tomada do poder. Beijamin Constant, o grande defensor das ideias positivistas no Brasil, convenceu um amigo do imperador Dom Pedro II a liderar o movimento. Sim! O grande porta-voz do Exército e combatente da Guerra do Paraguai, Marechal Deodoro da Fonseca, era amigo do imperador. Embora, para não perder seu prestígio nas Forças Armadas, tenha aceitado chefiar o levante.

No dia 15 de Novembro de 1889, um grupo de militares, liderados pelo Marechal Deodoro da Fonseca, marchou pelas ruas do Rio de Janeiro, capital do Império, e destituiu o imperador proclamando, no Brasil, a República. A proclamação foi resultado do enfraquecimento de um sistema de governo que não possuía mais base de sustentação política. Alguns historiadores argumentam que o movimento não contou com grande participação popular, portanto, pode ser considerado como um golpe político.

Após a proclamação, assumiu um governo provisório, que passou a construir uma nova identidade nacional, agora não mais imperial, mas republicana e com forte influência do positivismo.