Pré-Modernismo: Conceito e Autores Principais

Galerinha, o que os críticos literários chamam de Modernismo na literatura brasileira está condicionado a um grande evento histórico, a Semana de Arte Moderna, ocorrida em São Paulo em fevereiro de 1922. Considera-se que a Arte Moderna começa no Brasil a partir desse evento. Por isso, a literatura pré-modernista é a literatura que antecede essa passagem de grandes mudanças na história da arte e da literatura.

O período que se estende, mais ou menos, de 1900 a 1922 é um momento de transição na literatura; havia uma dificuldade de definir o que estava acontecendo na literatura daquela época. A literatura pré-modernista não é totalmente vinculada às tendências artísticas do século XIX (Realismo e Naturalismo), mas não é totalmente moderna.

É importante destacar que o Pré-Modernismo não é um movimento literário, não é uma escola literária. É, na verdade, um conceito cunhado pelo crítico literário Alceu Lima, que, nos anos 50, usou esse nome para explicar o que estava acontecendo em um momento de arte dividida entre passado e inovações presentes. Alfredo Bosi – que é um dos mais importantes teóricos da literatura brasileira – define muito bem o período:

“Creio que se pode chamar pré-modernista (no sentido forte de premonição dos temas vivos de 1922) tudo o que, nas primeiras décadas do século XX, problematiza a nossa realidade social e cultural”.

BOSI, Alfredo. História concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 2012

Essa realidade social começa a se desenvolver no fim do século XIX, de maneira que dois fatos históricos muito importantes na história do Brasil deflagraram problemas sociais graves apontados pelos pré-modernistas.

O Brasil no final do século XIX

► 1888 – Abolição da escravatura

► 1889 – Proclamação da República

Em 1888, 700 mil pessoas que ainda eram mantidas no regime escravista são oficialmente libertas. A população do Brasil, na época, era de 6 milhões de pessoas. Uma parcela considerável de pessoas se tornam livres. No entanto, nos perguntamos: como um ex-escravo negro – devido à ideologia racista da época – vai conseguir um lugar na sociedade, se eles sequer eram considerados humanos? O que acontece é que a falta de políticas para o desenvolvimento da cidadania do povo liberto gerou uma marginalização dos negros dentro da realidade brasileira.

A Proclamação da República tem uma lógica muito parecida. A República Velha – ou Primeira República (1889-1930) – se desenvolve por meio de arranjos políticos. Os políticos de São Paulo e Minas Gerais estavam forjando eleições para se manterem no poder, para manter a lógica de sempre ter um presidente de São Paulo seguido de um de Minas Gerais no comando do país. É a chamada Política Café com Leite, pois São Paulo era um grande produtor de café, e o leite era parte importante da economia de Minas.

Nesse contexto, não havia uma democracia, e sim uma oligarquia, ou seja, um governo para poucos. O governo não governava para todos, pois favorecia as elites, protegia os latifundiários e distribuía cargos públicos para os seus aliados. Esse governo oligárquico não faz sentido em um Brasil que começa a ter uma nova população com novos estratos socioeconômicos.

Os ex-escravos são parte importante dessa nova população, junto de imigrantes italianos, portugueses e espanhois e de campesinos que vieram para a cidade buscar oportunidades. Como o governo trabalhava para as elites, esses novos estratos econômicos são marginalizados e se tornam operários com baixos salários, trabalhadores informais que batalham para viver. Como consequência, a população de moradores de rua aumenta.

É com essa realidade que o século XX começa no Brasil, sendo justamente essa realidade de desigualdade socioeconômica que os escritores Pré-Modernistas denunciam. Então, os protagonistas da literatura do pré-modernismo são personagens das classes econômicas baixas da sociedade brasileira.

Outra realidade denunciada pelos autores dessa época é a disparidade existente entre um Brasil urbano e um outro Brasil, o Brasil rural. Por que chamamos de outro Brasil? Devido à grande disparidade econômica e social entre o rural e o urbano. No Brasil rural, não há investimento, não há tecnologia, não há informação, não há saneamento. No Brasil litorâneo, no Brasil urbano, a história é outra. Mesmo com a desigualdade, há tecnologia e investimento. Considerando esse paradoxo, temos atraso e temos renovação; mais atraso do que renovação, no entanto. Em síntese, temos, no Brasil do final do século XIX, um cenário de desigualdades econômicas e sociais, que também se estendem para as assimetrias entre os meios rural e urbano.

E a literatura da época retrata tudo isso.

Resquícios culturais do século XIX [Realismo, Naturalismo, Parnasianismo e Simbolismo]:

► Busca de novas formas de expressão.

► Denúncia da Realidade Social [de diversos locais do Brasil].

► Foco nos marginalizados do sistema.

Principais autores:

► Euclides da Cunha.

► Lima Barreto.

► Monteiro Lobato.

► Simões de Lopes Neto.

► Augusto dos Anjos.

Para saber mais, veja também: