Pirâmides Ecológicas

As pirâmides ecológicas representam as relações existentes entre os níveis tróficos de uma cadeia alimentar. Existem três tipos de pirâmides para representar as relações existentes entre os níveis: a pirâmide de números, a pirâmide de biomassa e a pirâmide de energia.

A Pirâmide de Números

Indica o número de indivíduos em cada nível trófico. Em um campo, por exemplo, há 5000 plantas, das quais dependem 300 gafanhotos, que garantem a alimentação de apenas uma ave. Essa pirâmide pode estar invertida quando são consideradas certas redes alimentares de parasitas ou em casos em que uma árvore sustenta um grande número de herbívoros. Esta pirâmide não é muito utilizada pelos ecologistas por não evidenciar a quantidade de matéria orgânica existente nos diversos níveis tróficos. As pirâmides mais utilizadas são as de biomassa e as de energia.

Pirâmides de números.

A Pirâmide de Biomassa

Representa a quantidade de matéria orgânica (que contém energia) em unidades ecológicas como os ecossistemas. A biomassa é um termo com diferentes definições: em sua forma mais direta, é a massa total de matéria orgânica presente na unidade ecológica a que se refere (nesses casos, fala-se em biomassa total de um ecossistema). Ela também pode ser descrita por valores em relação a uma determinada área (ou um volume) onde está presente.

Pode estar invertida quando consideramos ecossistemas como os lagos e os oceanos, pois, nesses casos, os produtores são microrganismos do fitoplâncton com rápido ciclo de vida e de rápido aproveitamento pelo zooplâncton. Uma pirâmide com essa forma pode dar a falsa impressão de que uma biomassa pequena de produtores suporta uma biomassa grande de consumidores primários. Deve-se lembrar, entretanto, que a medida da biomassa é feita para um determinado instante e que, devido à alta taxa de reprodução do fitoplâncton em relação ao zooplâncton e também ao rápido consumo do fitoplâncton pelo zooplâncton, obtém-se uma biomassa de produtores menor que a de consumidores de primeira ordem.

Essa pirâmide apresenta alguns inconvenientes: ela atribui a mesma relevância em questão de energia a diferentes tipos de tecidos vegetais e de animais. Como há tecidos com composição química diferente, cada um deles apresenta diferentes valores energéticos. Por exemplo: tecidos ricos em carboidratos têm mais energia do que tecidos ricos em proteínas. Além disso, estas pirâmides não levam em conta o tempo (a velocidade na qual a biomassa é produzida e consumida). A biomassa é uma medida obtida para um determinado instante, não levando em consideração o tempo que um organismo leva para acumular aquela matéria orgânica. O fitoplâncton, por exemplo, acumula biomassa em alguns dias; uma árvore, por sua vez, demora vários anos. Assim, se as pirâmides de biomassa invertidas fossem construídas levando-se em conta esses fatores, teriam o ápice voltado para cima.

Pirâmide de biomassa.

A Pirâmide de Energia

Sempre apresenta seu ápice voltado para cima. É a mais satisfatória, porém, ainda assim, não retrata os decompositores, a matéria orgânica armazenada pelos heterótrofos e nem a importação e a exportação de matéria orgânica de e para outros ecossistemas, uma vez que os ecossistemas são sistemas abertos, que realizam intercâmbio uns com os outros.

O primeiro nível da pirâmide de energia corresponde à matéria orgânica produzida pelos autótrofos de um ecossistema em um determinado tempo. Chamamos de produtividade primária bruta (PPB) a quantidade de energia capturada pelo autótrofo e que pode ser convertida em biomassa. Parte da PPB é utilizada no metabolismo da própria planta, através da respiração celular, de forma que a matéria orgânica não utilizada para produção de energia do autótrofo é disponibilizada aos demais níveis tróficos. Essa biomassa acumulada é chamada de produtividade primária líquida, ou PPL (PPL= PPB – Respiração). Ambas as produtividades podem ser expressas em gramas/m2/ano, kg/m2/ano ou em kcal/m2/ano (mais utilizada).

Os consumidores primários, além de não consumirem toda a biomassa dos produtores, não aproveitam grande parte da que foi ingerida, eliminando-a na forma de fezes. A energia incorporada é a que está presente para o nível trófico seguinte: o dos consumidores secundários. A quantidade de matéria orgânica acumulada por heterótrofos de um ecossistema em uma determinada área, em um determinado intervalo de tempo, é denominada produtividade secundária líquida (PSL).

Pirâmide de energia.