Neocolonialismo e Imperialismo

Século XIX: Neocolonialismo e Imperialismo

O capitalismo industrial atingiu seu apogeu a partir da segunda metade do século XIX. A Revolução Industrial modificava a sociedade e apresentava como consequência a utilização das máquinas, a divisão do trabalho, a urbanização, a evolução dos transportes e, é claro, o aumento da produção.

Esta produção estava concentrada em grandes indústrias e gerou grande disparidade de renda. Você deve se lembrar que a industrialização da economia europeia deu origem a duas novas classes sociais: a burguesia industrial e o proletariado urbano. A burguesia era formada pelos proprietários das fábricas, das máquinas e dos meios de produção em geral; o proletariado era formado por aqueles que possuíam apenas sua força de trabalho – eram os antigos camponeses que passaram a migrar para as cidades. As condições de trabalho nas fábricas eram marcadas por longas jornadas, baixos salários e péssimas condições de segurança e higiene. Além disso, havia a utilização de mão de obra infantil e feminina, que recebia salários mais baixos que os trabalhadores homens.

A partir deste cenário, decorreu a primeira grande crise do capitalismo, que teve o seu auge em 1870. De um lado, a grande produção industrial e, de outro, uma massa de assalariados que não tinha condições de consumir esta produção. Quer saber duas consequências disso? Primeiro: muitas fábricas de médio e pequeno porte decretaram falência e fecharam as portas, gerando desemprego. Segundo: as grandes indústrias dos centros urbanos europeus iniciaram uma corrida para buscar mercados consumidores fora da Europa.

Após o ano de 1870, para conter a crise, o capitalismo europeu passou por um processo de expansão econômica. Essa fase ficou conhecida como uma etapa imperialista.

O termo imperialista se refere à disputa das grandes potências capitalistas pelo controle econômico e político de regiões não industrializadas. Isso mesmo, a solução para a crise econômica foi dominar outros países e consolidar novas colônias.

Neocolonialismo

As nações europeias iniciaram uma corrida para conseguir o maior número possível de colônias para manter e expandir o complexo industrial, principalmente na Ásia e na África. O objetivo neocolonial era buscar os 3 Ms. 3 Ms? Sim, se liga nessa:

Matéria-prima;
► Mão de obra barata;
► Mercado consumidor.

E por que chamamos esse processo de NEOCOLONIAL? É para diferenciar daquele tipo de colonização que ocorreu a partir da expansão marítima nos séculos XV e XVI. No quadro abaixo, podemos ver algumas diferenças entre o colonialismo e o neocolonialismo:

A dominação ocasionada pelo neocolonialismo atingiu seu apogeu nos anos de 1884 e 1885, quando ocorreu a “Conferência de Berlim”, que resultou na Partilha da África. Sem dúvidas, o continente africano foi o que mais sofreu as consequências da ação exploratória do neocolonialismo. A Conferência de Berlim foi uma reunião internacional em que as potências discutiram um conjunto de regras para a consolidação de novas colônias e para a divisão da África. Vamos ver no desenho abaixo a transformação do continente Africano:

A Exploração Neocolonial

Conforme vimos nos tópicos anteriores, a expansão territorial está ligada ao domínio econômico de uma nação sobre outra. E como, de fato, acontecia essa exploração? Se liga nessa! Os colonizadores, ou seja, as grandes nações industrializadas, pagavam preços baixíssimos pelas matérias-primas que abasteciam as indústrias na Europa. E não para por aí. Já falamos que entre os 3 Ms estava a busca por um mercado consumidor, lembra? Pois é, eles vendiam os produtos industrializados a um preço elevado ao mesmo tempo em que proibiam as colônias de desenvolverem o setor industrial. Desta forma, as colônias da África e da Ásia se mantinham dependentes das matérias-primas exportadas e dos produtos industrializados que consumiam das metrópoles.

Embora a exploração fosse a grande marca do processo neocolonial, o modelo de administração dos territórios variava conforme a realidade de cada território. Vamos analisar as características dos modelos colonial e protetorados:

Modelo Colonial: as colônias eram aqueles territórios que dependiam diretamente da metrópole, ou seja, eram administradas por um órgão responsável pelas decisões políticas e econômicas. No caso francês, eram administradas por um governador-geral, responsável pela atividade colonial. Nas colônias inglesas, a administração ficava a cargo de um Escritório Colonial;

Modelo Protetorado: o modelo de protetorado mantinha certo grau de autonomia. As decisões eram tomadas por líderes locais e passavam por um supervisor que representava a metrópole; As colônias inglesas eram muitas. É importante gravar que a Inglaterra foi a grande beneficiada da Partilha da África (Conferência de Berlim), pois ficou com o maior número de territórios a serem explorados.

A posse das terras das colônias era concedida aos colonos e às grandes companhias; os primeiros tinham a missão de desbravar o território e fomentar a colonização, e as companhias eram responsáveis pelos grandes empreendimentos de extração de matéria-prima vegetal e mineral. Isso incluía a construção de grandes obras de infraestrutura como portos, estradas e ferrovias. Vale lembrar que estas obras estão relacionadas à segunda etapa da Revolução Industrial.

A penetração colonial gerou rupturas em relação ao sistema vigente anteriormente. A aquisição de terras pelos colonos e empresas se deu pela forma de expropriação e, na maioria dos casos, as populações locais eram submetidas a trabalhos forçados.

É importante pensarmos que todo processo de dominação territorial e econômica tem como base da imposição um conjunto de ideias que visa legitimar a exploração. No caso do neocolonialismo, a base ideológica para a sua expansão foi a teoria do darwinismo social, em alta na Europa do século XIX. Essa teoria compreendia a ideia de que as sociedades poderiam ser classificadas em três estágios: bárbaras, primitivas e civilizadas. Desta forma, os europeus classificavam o continente africano como uma sociedade bárbara e o continente asiático como primitivo. Nessa visão europeia caberia, portanto, uma missão civilizatória da Europa para que os demais continentes alcançassem o estágio de civilização.

Os Conflitos entre Potências e as Unificações Tardias

Nesta conjuntura de corrida em busca de colônias na África e na Ásia, ocorreram disputas entre as nações. De um lado, estavam as potências clássicas e, de outro, estavam as chamadas novas potências ou potências emergentes. Vamos observar as características: