O Nazifascismo

Você já parou para imaginar a situação da Europa após a Primeira Guerra Mundial? A indústria europeia estava arrasada, a produção rural estagnada e a fome e a miséria se espalhavam pelo continente. Descontentes com os regimes democráticos, a resposta de boa parte da Europa à crise se deu com a ascensão de regimes fascistas. A crença de que só um governo forte, militarizado e sob comando de um líder carismático poderia reorganizar o país ganhou força em países como Alemanha, Itália, Espanha e Portugal. Vamos analisar esse trecho da reflexão do historiador Eric Hobsbawm sobre o surgimento dos regimes de caráter fascista:

As condições ideais para o triunfo da ultradireita alucinada eram um Estado velho, com seus mecanismos dirigentes não mais funcionando; uma massa de cidadãos desencantados, desorientados e descontentes, não mais sabendo a quem ser leais; fortes movimentos socialistas ameaçando ou parecendo ameaçar com revolução social, mas não de fato com posição de realizá-la.

Podemos perceber outro elemento importante: no leste Europeu, se consolidava uma alternativa ao capitalismo, era a ascensão da organização do movimento operário nos sovietes russos, a chegada dos bolcheviques ao poder, a formação da União Soviética e a sua industrialização acelerada. Essa ascensão das ideias marxistas, como alternativa à democracia liberal em crise, era vista como ameaça aos valores tradicionais em países como Alemanha e Itália.

Desta forma, podemos definir a conjuntura europeia no período entreguerras como uma era de extremos. De um lado, havia uma esquerda representada por sindicatos de trabalhadores, partidos comunistas e movimentos anarquistas; de outro, movimentos de direita ultranacionalistas, conservadores, representados pelo Partido Nazista, na Alemanha, e o Partido Fascista, na Itália. Vamos observar as características do nazismo e do fascismo?

Nacionalismo e Militarismo: exaltação dos símbolos e valores da pátria e de um Estado voltado para a defesa e a guerra. Em consequência disso, na Alemanha, diferente da Itália, surgiu a política de supremacia e dominação da “raça ariana” sobre aos povos considerados inimigos, como os judeus, asiáticos, russos e latinos. Decorre, também, a política expansionista, que visou reconquistar os territórios perdidos durante a Primeira Guerra.

Fascismo na Itália

O grande líder do fascismo italiano, Benito Mussolini, ex-combatente da Primeira Guerra, recebeu apoio de grandes industriais e proprietários para a chegada ao poder. Em 1922, o movimento fascista se organizava em um grupo paramilitar (grupo civil armado) chamado “camisas negras”. Era comum ocorrerem enfrentamentos dos Camisas Negras com os membros do Partido Comunista Italiano em manifestações de rua e greves operárias. Em outubro daquele ano, os fascistas realizaram a “Marcha sobre Roma” e conseguiram ocupar a cidade sem reação da polícia e do governo. Sob regime de monarquia parlamentarista, Mussolini foi convidado para compor o ministério do Rei Vitor Emmanuel III, momento em que conquistou forte apoio da sociedade italiana.

Nas eleições de 1924, o Partido Fascista conquistou 34 da votação no pleito eleitoral, alcançando a maioria das cadeiras do parlamento. Em 1925, consolidou-se o novo regime. A constituição foi reformada. Foram dissolvidos o Senado, a Câmara e o primeiro ministro. Mussolini recebeu o título de Duce, tornando-se ditador absoluto da Itália.

Nazismo na Alemanha

Como já vimos, a ascensão do nazismo na Alemanha resultou da crise econômica do pós-guerra, da reação ao crescimento das ideias marxistas e do sentimento nacionalista e revanchista devido à humilhação do país com o Tratado de Versalhes.

A primeira tentativa de chegar ao poder foi através do Putsch, em 1923, que foi uma espécie de manifestação paramilitar na cidade de Munique. Na ocasião, o líder do movimento, Adolf Hitler, acabou preso e condenado a cinco anos de prisão. Na prisão, escreveu sua principal obra: “Mein Kampf” (Minha Luta), na qual divulgou as ideias políticas e filosóficas que serviram de base para a doutrina nazista.

O crescimento do Partido Nazista era acelerado tanto nas ruas como nos pleitos eleitorais no final da década de 1920 e início de 1930. As reuniões do partido se constituíam em paradas militares abertas, com uma militância uniformizada que exaltava o “grande líder” Adolf Hitler.

Nas eleições de 1933, Hindenburg venceu Hitler por uma margem apertada de votos, mas a popularidade do líder nazista não parava de crescer. Segundo o próprio presidente alemão, era impossível governar sem ou contra Hitler. Nas eleições para o parlamento, os nazistas obtiveram 44% dos votos. Foi então que Hitler foi nomeado chanceler do governo. Em 1934, Hinderburg faleceu e novas eleições não aconteceram. Hitler acumulou os cargos de chanceler e chefe de Estado, tornando-se o Führer (condutor). Iniciava, assim, o nazismo na Alemanha.

A política nazista se voltou para a perseguição política aos adversários; foram proibidos os sindicatos, as greves e o Partido Comunista alemão. Os estrangeiros, principalmente os judeus, passaram a ser responsabilizados pela corrupção e pela crise econômica e, portanto, foram perseguidos pelo regime. Com o incentivo à qualidade técnica dos operários, a produção industrial da Alemanha acelerou nas áreas de produtos químicos, têxteis e, principalmente, na produção de armas. Em 1939, a economia da Alemanha já era a segunda do mundo e o país estava preparado para realizar uma política expansionista e dar sustentação a uma nova guerra.

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