Movimento Antropofágico

Dificilmente imaginaríamos o surgimento do Movimento Antropofágico sem a abertura a novas ideias trazida pela Semana de Arte Moderna. A criação desse movimento está diretamente relacionada com a pintura ao lado, realizada por Tarsila do Amaral (O Abaporu). Vamos compreender um pouco mais detalhamente como isso aconteceu?

Tarsila do Amaral, como outros artistas do período, também havia sido fortemente influenciada pelas Vanguardas Artísticas, com as quais teve uma aproximação durante seus estudos artísticos na Europa. Ao presentear Oswald de Andrade com a obra acima, o poeta Raul Bopp teria batizado a pintura de O Abaporu. Um nome em tupi guarani que significa antropófago, ou seja, canibal. A partir dessa pintura e do nome recebido, surgiu o Movimento Antropofágico, cujo principal objetivo era o de assimilar a arte européia de vanguarda para que, aliada a elementos da identidade brasileira, pudesse ser produzida uma arte brasileira original. O Manifesto Antropofopágico, escrito por Oswald de Andrade, contém as principais ideias do grupo.

As obras que Tarsila do Amaral produziu durante os anos do Movimento Antropofágico são consideradas, por alguns estudiosos, como as mais importantes da sua carreira. Nestas pinturas, tais como Sol poente (imagem ao lado), a artista buscou a junção de elementos brasileiros, como as vegetações locais, com a simplificação dessas formas. Além disso, podemos notar características do movimento surrealista nestes universos de sonho criados pela artista.

Ao analisarmos A boba, de Malfatti, com O Abaporu, é possível notarmos os elementos brasileiros trazidos na pintura de Amaral. Mesmo de curta duração (durou apenas um ano, de 1928 a 1929), o Movimento Antropofágico teve grande influência na cultura brasileira. Uma delas foi o surgimento do Movimento Tropicalista, na música, nos anos 1960, nas canções de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, dentre outros.