A Missão Artística Francesa e a Arte Acadêmica

A mudança da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, no começo do século XIX, trouxe consigo a vontade de uma produção artística local aos moldes dos padrões europeus. Esse desejo resultou na vinda do grupo de artistas franceses denominado como Missão Artística Francesa, em Ela foi composta por diversos artistas, tais como Jean Baptiste Debret, Nicolas Antonie Taunay, dentre outros, que vieram com a tarefa de implementar o ensino formal de Artes no Brasil. A formação e o gosto destes artistas pela arte neoclássica acarretou, consequentemente, na difusão de características desse movimento artístico.

Como a construção da futura sede da Escola Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro demorou dez anos para ser concluída, os artistas não puderam lecionar durante esse período. Então, ocuparam-se com as encomendas que recebiam da corte portuguesa, chamadas de encomendas oficiais. Estas encomendas consistiam geralmente em retratar os nobres e registrar os seus eventos, tais como o casamento de D. Pedro e D. Amélia, registrado em uma pintura de Jean Baptiste Debret (imagem ao lado).

Além das encomendas oficiais, os artistas também se ocupavam com outras atividades artísticas. A curiosidade de Debret diante de um local completamente novo fez, por exemplo, com que ele percorresse a cidade e registrasse cenas da vida cotidiana do Rio de Janeiro, bem distante daquelas da corte, como a atividade da venda de café torrado (imagem ao lado).

Além das encomendas oficiais, Nicolas Antoine Taunay, por sua vez, se dedicou ao registro das paisagens do Rio de Janeiro (imagem ao lado). Além do seu inegável valor artístico, é graças a obras como essas que podemos ter uma ideia de como era a arquitetura e a paisagem da cidade naquele período.

Importância da Missão Artística Francesa:

► Implementação do ensino formal de arte no país, por meio da criação da Academia Imperial de Belas Artes, daí o surgimento da Arte Acadêmica. Em outras palavras, a arte realizada de acordo com as regras da Academia.

► Auxílio na difusão da ideia do artista livre, não apenas trabalhando por encomendas, mas também produzindo a partir de seus próprios interesses.

► Contato com as tendências artísticas européias, fundamentais para a formação de importantes pintores brasileiros, tais como Pedro Américo e Victor Meirelles.