A Mata dos Cocais, o Cerrado e o Pantanal

É a vegetação de transição entre a Amazônia e a caatinga, assim, pode ser considerada uma vegetação ecótona. Ocorre nos estados de Tocantins, Rio Grande do Norte, Ceará e, principalmente, Maranhão e Piauí.

Neste complexo vegetal predominam dois tipos de palmeiras com importante valor econômico para as populações locais: o Babaçu (grande predominância) e a Carnaúba (ocorrência esporádica). Encontra-se também o Buriti e a Oiticica.

O Cerrado

O cerrado é um tipo de vegetação mista, com plantas de médio porte misturadas com gramíneas, ocorrência própria do clima tropical típico do Brasil central. O cerrado típico apresenta, geralmente, dois estratos de plantas: um arbóreo, com árvores de pequeno porte e tronco retorcido (a Lixeira, o Pau-Santo, a Mangabeira, o Pequi); outro herbáceo, de gramíneas ou vegetação rasteira.

Costuma-se considerar o cerrado como um tipo de savana, vegetação típica de clima tropical semiúmido em solos relativamente pobres e ácidos. As savanas são muito comuns na África, continente que, por sinal, já foi ligado à América do Sul e apresenta algumas condições climáticas e pedológicas mais ou menos semelhantes às do nosso continente.

É o segundo maior bioma do país, sendo que cerca de 45% da vegetação foi destruída, processo que se acelerou nas últimas décadas por causa da expansão da agropecuária no Brasil central, com plantações de soja, principalmente, e também outros cultivos e criações. Em 2001, o bioma dos cerrados foi declarado “Patrimônio Natural da Humanidade”, pela UNESCO.

O cerrado tem a seu favor o fato de ser cortado por três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Tocantins, São Francisco e Prata), o que favorece a manutenção de uma biodiversidade surpreendente. Estima-se que a flora da região possua 10 mil espécies de plantas diferentes, muitas delas usadas na produção de cortiça, fibras, óleos e artesanato, além do uso medicinal e alimentício.

O Pantanal

O complexo do Pantanal é uma vegetação extremamente heterogênea, que abrange a planície ou depressão do Pantanal Mato-Grossense e que se localiza a oeste do Brasil, nas vizinhanças do Paraguai e da Bolívia, em terras dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nesse complexo de vegetações, podemos encontrar desde plantas higrófilas (nas áreas alagadas pelo rio) até as xerófilas (nas áreas altas e secas), além de diversos tipos de palmeiras (Buriti e Carandá), gramíneas (como o Capim- Mimoso) e trechos de bosques dominados pelo Quebracho. Os solos da região são de fertilidade moderada e apresentam grande salinidade.

A localização estratégica do Pantanal, que sofre influência de diversos ecossistemas – cerrado, chaco, Amazônia e Mata Atlântica –, associada a ciclos anuais e plurianuais de cheia e seca e temperaturas elevadas, faz com que ele seja o local com a maior concentração de fauna das Américas.

Uma das principais características do Pantanal é a dependência de quase todas as espécies de plantas (cerca de 1.700) e animais ao fluxo das águas. Durante os meses de outubro a abril, as chuvas aumentam o volume dos rios, que, em virtude da pouca declividade do terreno, extravasam seus leitos e inundam a planície, cobrindo cerca de dois terços da região. Nessa época, muitos animais buscam refúgio nas terras “firmes”, espalhando-se pelas áreas não inundadas. Ao final do período das chuvas, entre junho e setembro, as águas baixam lentamente e voltam ao seu curso natural, deixando os nutrientes que fertilizam o solo.

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