Introdução Guerra Fria

Pessoal, é importante vocês entenderem que a Guerra Fria, mais do que uma disputa por poder e por zonas de influência, também se caracterizou pelo embate ideológico, ou seja, as superpotências, além de competirem sob a perspectiva geopolítica, representavam e difundiam diferentes modelos de organização econômica e social. Nesse sentido, observem o esquema abaixo:

CONFERÊNCIA DE IALTA – Pessoal, vocês precisam se inteirar sobre os acordos do pós-guerra, pois estes foram responsáveis por estabelecer a ordem internacional da Guerra Fria. É importante lembrar que, em períodos de pós-guerra, os vencedores, invariavelmente, ditam as regras para a formação da ordem política que virá a se concretizar em seguida. Em fevereiro de 1945, as forças aliadas – EUA, Reino Unido, França e URSS – se reuniram para decidir os rumos da ordem internacional no pós-guerra. Em Ialta, Stalin declarou que os territórios ocupados pelo Exército Vermelho na Europa Oriental1 se encontravam na esfera de influência soviética, enquanto que Roosevelt proclamou que a Europa Ocidental e o continente americano constituíam zonas de influência dos EUA.

1 Como a Bulgária, a Romênia, a Polônia, a Hungria, a Alemanha Oriental, a Tchecoslováquia, a Iugoslávia, e a Albânia.

CONFERÊNCIA DE POTSDAM – A Conferência, além de impor pesadas multas e restrições militares a Alemanha, determinou que seu território fosse separado em quatro zonas de ocupação: francesa, britânica, estadunidense e soviética. Posteriormente, em 1949, a Alemanha foi dividida em dois países: na parte ocidental, a República Federal Alemã (RFA), capitalista e com capital em Bonn; e, na parte oriental, a República Democrática Alemã (RDA), socialista e com capital em Berlim. Esta última, por sua vez, também foi dividida entre as duas potências. A rápida recuperação econômica que a Alemanha Ocidental obteve devido aos
investimentos dos EUA provocou um enorme fluxo de alemães orientais para o lado ocidental. Visando bloquear esse fluxo, o governo da RDA construiu, em 1961, um muro para separar os dois países, ficando conhecido pelos ocidentais como “muro da vergonha”.

CORRIDA ARMAMENTISTA – Um mês após a Conferência de Potsdam, o presidente Henry Truman utilizou os ataques a Hiroshima e Nagasaki como forma de dissuadir os soviéticos. Essa demonstração de força deu início a uma corrida armamentista entre os EUA e a URSS. Quatro anos depois dos ataques às cidades japonesas de Hiroshima e Nagazaki, os soviéticos anunciaram que haviam obtido sucesso em seu primeiro teste de explosão atômica.

CRIAÇÃO DA ONU – Outro importante acordo do período do pós-guerra ocorreu em abril de 1945 na cidade de São Francisco. A Conferência de São Francisco deu origem a Organização das Nações Unidas (ONU). Ao todo, 51 países assinaram a Carta da ONU, que tinha como princípios: 1) a manutenção da paz e da segurança internacionais; 2) o desenvolvimento das relações amistosas entre as nações; e 3) o estímulo à cooperação multilateral. Instituído em 1945, o Conselho de Segurança é a instância de maior autoridade da ONU, possuindo 5 membros permanentes: EUA, França, China, Rússia (antiga URSS) e Reino Unido. Com objetivo máximo de assegurar a paz e a segurança internacionais, o Conselho de Segurança não impediu que os EUA e a URSS começassem a lançar suas próprias iniciativas no plano internacional.

PLANOS DE RECUPERAÇÃO ECONÔMICA – Em 1947, os EUA lançaram o Plano Marshall, que tinha como finalidade auxiliar as economias europeias em seu processo de recuperação. Desse modo, os EUA garantiam a sua preponderância econômica na região e, do ponto de vista estratégico, impediam que os países da Europa Ocidental passassem a orbitar na esfera de influência soviética. A URSS, em contrapartida, lançou em 1949 o seu projeto de ajuda econômica para a Europa Oriental, conhecido como COMECON.

ALIANÇAS MILITARES – Na esfera militar, os EUA criaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) com o objetivo de garantir a segurança mútua dos seus membros. Em resposta, os soviéticos lideraram a criação do Pacto de Varsóvia (1955), que buscava assegurar a defesa mútua dos países pertencentes ao bloco socialista.

A GUERRA DE INTELIGÊNCIA – Além de lançarem iniciativas econômicas e militares, as superpotências atuavam “por baixo dos panos”, sobretudo através de suas agências de inteligência. Apesar de secretas, o objetivo das operações de inteligência era claro: obter informações sigilosas e se inteirar sobre as condições do inimigo. Do lado dos EUA, a Agência Central de Inteligência (CIA) era a responsável pelas operações de inteligência e espionagem, enquanto que, do lado soviético, o Comitê de Segurança do Estado (KGB) cumpria um papel semelhante.

AS INSTITUIÇÕES DE BRETTON WOODS – Além dos acordos do pós-guerra envolvendo as forças vencedoras da Segunda Guerra, os EUA, como forma de consolidar sua hegemonia no bloco capitalista, conduziram as “Conferências de Bretton Woods”, que definiram as regras para o comércio e para as finanças internacionais. Como resultado, foram criadas as “instituições de Bretton Woods”: Fundo Monetário Internacional (1944) e Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (1944), posteriormente renomeado para Banco Mundial.

GUERRA DA COREIA – Agora daremos um pouco de atenção ao primeiro conflito de proporções internacionais da Guerra Fria. Vocês se lembram que, durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses realizaram um forte movimento de expansão no Pacífico? Pois então, com a sua derrota na Segunda Guerra, as forças aliadas ocuparam o território da Coreia e o dividiram em áreas de influência soviética e estadunidense. Em junho de 1950, as tropas da Coreia Norte invadiram o território da Coreia do Sul com a pretensão de reunificar o país sob um regime socialista. Os EUA, que possuíam aliados regionais e gozavam de ampla influência política e econômica na Bacia do Pacífico, intervieram diretamente no conflito, contribuindo para que os sul-coreanos retomassem os territórios que haviam sido inicialmente conquistados pelos norte-coreanos. Após uma série de ofensivas e contraofensivas, ambos os países assinaram um armistício em julho de 1953, restabelecendo o paralelo 38 como fronteira entre as duas Coreias e criando uma zona desmilitarizada que perdura até os dias atuais.

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