Introdução à Embriologia

E aí, galera do MeSalva! Certamente já passou pela cabeça de vocês aquela famosa pergunta (ou alguém já perguntou para você como uma pegadinha): quem surgiu antes, o ovo ou a galinha? Pois para quem ainda está em dúvida, a gente explica, através da embriologia e da evolução, que o primeiro a surgir foi… o ovo! O surgimento do ovo veio com os répteis, uma adaptação que possibilitou a colonização do ambiente terrestre. Em Embriologia, os ovos são o resultado da fecundação de um gameta masculino com um feminino, formando um zigoto. Nessa apostila, iremos estudar como se iniciou o estudo dessa área, as formações dos embriões e o que eles resultam, assim como o desenvolvimento embrionário.

Teorias Históricas

“Como os seres surgiram?” foi uma incógnita por um bom tempo, principalmente no que diz respeito ao ser humano. Nas sociedades primitivas, acreditava-se que o homem não tinha um papel na procriação dos filhos, pois a mulher seria a única responsável por esse acontecimento. Nessa época, a ideia principal era que os homens seriam a reencarnação de larvas ancestrais que flutuavam ao redor de lugares sagrados até encontrarem uma mulher, que deveria ser virgem, e a fecundarem. Foi só com o surgimento do patriarcado (sistema social em que os homens mantém o poder sobre as mulheres), que perdura até os dias de hoje, que o homem reivindicou o papel de criador e as mulheres receberam um papel secundário, de carregar e nutrir o embrião.

Os primeiros estudos embriológicos foram feitos pelo filósofo grego Aristóteles (cerca de 384-322 a.C.), que acreditava que a mulher tinha esse papel secundário, ou seja, uma matéria passiva, enquanto o homem seria o fornecedor da vida que se criava em seu ventre, dando força, atividade e movimento. Ele ficou conhecido como Fundador da Embriologia por analisar o desenvolvimento das aves. Em seu trabalho, explica que diferentes órgãos se formam, por uma série de mudanças graduais, em uma massa não diferenciada, porém bem organizada: o embrião.

Pelo final dos anos 1600, já com o surgimento da microscopia, pôde-se investigar melhor o aparelho genital e os gametas dos seres humanos, o que permitiu explicar como ocorre o nosso desenvolvimento.

Teoria da Pré-formação e Epigênese

Como vimos, com o advento do microscópio, foi possível ver as coisas de outra maneira. Alguns cientistas sugeriram, então, ao observar o esperma masculino, que dentro dos espermatozoides havia pequenos seres humanos. Nicolas Hartsoeker foi um desses cientistas, representando o espermatozoide da seguinte maneira:

Representação do espermatozoide com um ser humano dentro, imaginado por Hartsoeker.

Um pouco depois, em meados dos anos 1700, surgiram os ovistas, que acreditavam que um ovo (no caso, um ovócito) continha várias gerações de uma espécie, com os corpos encapsulados um dentro do outro e se desenvolvendo sucessivamente. Não só o ovo continha um embrião completo, mas o embrião possuía ovos para todas as gerações futuras. A ideia seria contrária a dos cientistas anteriores, já que tinha o gameta feminino como o precursor de vida.

Mas nem todos os cientistas concordavam que os seres humanos se desenvolviam a partir do gameta masculino ou feminino, de forma que surgiram, então, duas teorias para explicar como se dava esse desenvolvimento: a da pré-formação, sugerindo que o embrião seria uma redução do indivíduo adulto, e a da epigênese, afirmando que esse desenvolvimento era gradual e surgia progressivamente.

Lazzaro Spallanzani, no final dos anos 1700, era um ovista que, apesar de defender a teoria da pré-formação, contribuiu para que ela fosse desacreditada através de seus experimentos. Ele vestiu rãs machos com calções de seda e as colocou para acasalar com as fêmeas, observando que os ovos não se desenvolveram em girinos. Porém, quando misturou o sêmen que havia ficado nos calções com os ovos recém- liberados, o desenvolvimento ocorreu. Spallanzani também realizou a inseminação de sêmen de um cachorro em uma cadela, usando uma seringa de sua invenção, que resultou em filhotes que se assemelhavam fenotipicamente com a cadela e o cachorro que os deram origem.

Dessa forma, ele teve grande importância na história da Embriologia, pois mostrou, com seus experimentos, que os animais não se desenvolviam através da redução de um indivíduo adulto, abrindo espaço para novos cientistas proporem novas ideias. Isso acabou levando ao descobrimento de que os seres vivos, incluindo os embriões, são formados por células e que o desenvolvimento desses seres surge da proliferação delas, deixando explícito que a teoria mais correta quando falamos sobre isso é a de epigênese.

Essas células, durante seu desenvolvimento, passam por diversos processos, e um deles é o de diferenciação celular, em que cada uma irá se desenvolver para realizar uma função específica. Antes de passar por esse processo, as células apresentam um leque de possibilidades quando o assunto é diferenciação, podendo se especializar e se diferenciar em diversos tipos celulares. A essas células damos o nome de células-tronco. Vamos estudá-las a seguir.

Células-Tronco

As células-tronco, como falamos anteriormente, têm a capacidade de dar origem a diversos tipos celulares e, por isso, são muito importantes na reposição celular e na regeneração dos tecidos. Dessa forma, essas células são caracterizadas pela capacidade de divisão continuada e de diferenciação, podendo ser não embrionárias ou embrionárias.

As células-tronco não embrionárias estão presentes em pequenas quantidade no organismo e, por terem um potencial de diferenciação muito menor do que as embrionárias, são denominada multipotentes. São células-tronco não embrionárias as células epiteliais, da medula óssea, as neurais do cérebro e as do sangue presente no cordão umbilical. Elas têm importante papel na regeneração dos tecidos.

Já as células tronco embrionárias são aquelas oriundas da etapa muito inicial do desenvolvimento embrionário humano, quando o embrião está na forma de blastocisto, 4 a 5 dias após a fecundação. Nessa etapa, ocorrem diversas divisões celulares para aumentar o número de células do embrião e, como essas células possuem uma alta capacidade de diferenciação, podem dar origem a quase todos os tipos celulares do organismo. Porém, não são capazes de formar um indivíduo completo, uma vez que não conseguem gerar tecidos embrionários. Devido a essa característica, são chamadas de pluripotentes.

Existe, ainda, outro tipo de células-tronco embrionárias: as totipotentes. Essas são capazes de originar um organismo completo, pois conseguem gerar todos os tipos de células e tecidos do corpo, inclusive os extraembrionários, como a placenta. São células totipotentes os blastômeros, ou seja, as células iniciais da clivagem (da divisão do zigoto) em etapas anteriores ao blastocisto. Por apresentarem o potencial de gerar todos os tipos celulares e tecidos de um organismo, essas células são de muito interesse para a pesquisa e a área médica, pois podem ser a solução para certas doenças ainda sem cura, como o câncer.