Iluminismo e Romantismo

Em primeiro lugar, é importante que a gente saiba que o Romantismo não foi apenas um movimento literário, ele foi um movimento que se manifestou na música, na pintura e até na Filosofia! Antes de falarmos sobre o Romantismo propriamente dito – para podermos entender o que foi essa importantíssima manifestação histórica – precisamos ter em mente o que foi o movimento iluminista.

Iluminismo

Foi um movimento das elites intelectuais europeias do século XVIII, também chamado de Século das Luzes. O Iluminismo vai colocar a razão, a racionalidade, como os principais óculos com os quais devemos olhar para a realidade – é isso que pregavam os filósofos e autores do movimento.

O Iluminismo indica uma série de tradições filosóficas, sociológicas, religiosas, e vai se tornar uma forma de ver o mundo – e, assim, uma forma de agir no mundo – nos séculos posteriores. Podemos pensar que até hoje existem reflexos do Iluminismo na nossa realidade, se pensarmos que talvez a racionalidade tenha predominado sobre as emoções, deixando o emocional e o intuitivo muitas vezes em segundo plano.

Kant, Newton, John Locke, Montesquieu e Voltaire são alguns nomes de pensadores que, com suas obras, ajudaram a criar a lógica de pensamento do Iluminismo. Os pensadores desse período acreditavam que, a partir da produção de muito conhecimento – principalmente o conhecimento racional, que na época é o conhecimento que pode ser comprovado por demonstrações das ciências exatas, como matemática e física (filosofia também!) –, as pessoas transformariam a sociedade. Para eles, a razão iria salvar o mundo de mazelas como fome, guerras e desigualdade social.

Razão X Emoção

Importantíssimo destacar, para pensarmos no Romantismo, esse predomínio da racionalidade que opera no Iluminismo. Nenhuma verdade pode ser deduzida através da experiência sensorial, insistiam os filósofos. Para os Iluministas, a razão é a única e melhor forma de conhecer algo. Eles acreditavam que existia uma verdade objetiva (vale lembrar que a palavra objetivo vem de objeto, do latim obiectum, traduzido como o que é colocado diante de alguma coisa). Veja que a verdade para eles era algo que existia pronto no mundo, uma substância imutável, que poderia ser revelada apenas através da razão.

Será Mesmo?

O movimento romântico vai se opor à lógica de pensamento do Iluminismo. Podemos dizer que o movimento romântico é Anti-Iluminista e questionador dos pressupostos entendidos como exageradamente racionais do Iluminismo.

Romantismo

► Valorização das emoções, experiências sensoriais, subjetividade.

No Romantismo, as sensações e a emoções devem ser resgatadas, em específico a subjetividade, uma vez que o objeto dependerá do olhar do sujeito. Dessa forma, o racionalismo que o Iluminismo colocou como pensamento dominante vai sofrer uma grande crítica pelos românticos.

Vale lembrar!

A obra inaugural do romantismo na literatura, escrita na Alemanha, é “Os sofrimentos do Jovem Werther” (em itálico), de J. W. Goethe (1774).

Revolução Francesa e Romantismo

Além dessa questão histórico-filosófica que condiciona o movimento romântico, temos uma questão histórico-social ou histórico-política. A Revolução Francesa vai ter papel importante dentro da lógica do Romantismo. Vamos pensar um pouquinho sobre isso?

Lembrem que a burguesia europeia começou a deixar de ser coadjuvante da história com o mercantilismo dos séculos XVI e XVII, e que essa classe vai passar a ter um grande protagonismo nessa época, na Revolução Francesa.

Com essa Revolução, temos o início do fim dos privilégios aristocráticos e o fim da rígida divisão entre classes sociais. Agora a livre iniciativa e os méritos pessoais não ficam mais atrás de títulos de nobreza e berços de ouro, é a chamada Era do Liberalismo. Com ela, vem o ideário de igualdade entre os homens e o ideário do Individualismo, de modo que o homem – a partir de seus esforços individuais – pode ascender socialmente.

Os esforços revolucionários vão gerar um aumento no nível de alfabetização e, com isso, temos o surgimento de um novo público leitor, um público que não é identificado com os valores da aristocracia. Então os escritores – burgueses, que então eram maioria – vão produzir suas obras para um público também burguês.

É nesse contexto – de Revolução Francesa e de Liberalismo – que teremos o surgimento das obras românticas.

Literatura Romântica

► Valorização das emoções;

► Oposição à razão iluminista

► Individualismo – consonância ao liberalismo

A Virada Romântica

Os artistas românticos, que, inicialmente, estavam imbuídos de valores do liberalismo, vão perceber que a burguesia pós-revolucionária se tornou uma classe vazia, que só vive para acumulação de capital. Então, os artistas farão uma crítica à burguesia como uma classe utilitarista e burra.

Por causa desse esvaziamento do sentido humanístico, ocorreu uma virada na perspectiva do Romantismo no início do século XIX. Aquele eu triunfal”, que podia tudo, vai entrar em choque com um “eu oprimido” por uma sociedade cujos valores se baseiam apenas no acúmulo de capital. Muitos artistas românticos passam a ver a sociedade burguesa como vazia, fútil.

É por isso que a natureza vai se tornar personagem de muitas obras românticas. Em uma sociedade vazia e preocupada apenas com o material, a natureza representa o encontro com uma dimensão imaterial do ser.

Assim, o sol, a lua, as tempestades, o mar e as montanhas são presenças garantidas nas obras românticas.

Características Estéticas do Romantismo:

► Personagens Protagonistas.

► Subjetivismo.

► Oposição Eu x Mundo.

► Culto à Natureza.

► Fuga/Evasão da Realidade (no sonho, na fantasia, no passado).

► Imaginação como oposição ao utilitarismo burguês.

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