Hume

Impressões e Ideias

O filósofo escocês David Hume foi o mais audacioso e prolífico filósofo de uma concepção antagônica ao racionalismo de Descartes: o empirismo, que, na modernidade, teve como seus precursores: Francis Bacon e John Locke. Ao contrário dos racionalistas, os empiristas enfatizam o papel dos sentidos na aquisição do conhecimento.

Em seu livro “Tratado da Natureza Humana”, Hume descarta a dúvida cartesiana. Se, para o racionalista, a ilusão e o sonho nos alertam a não confiar nos sentidos, para o empirista, exceto em casos muito específicos, como na loucura, por exemplo, todos sabemos muito bem a diferença entre a realidade e a imaginação.

Hume propõe que nossos sentidos nos oferecem “impressões” do mundo. Estas impressões são claras e cheias de vida. Ao tocarmos uma maçã temos a impressão de sua textura. Se a mordemos, temos a impressão de seu gosto. Para cada sentido afetado por um objeto, obtemos uma impressão que rapidamente reconhecemos como real.

Depois de havermos experimentado essas impressões, diz Hume, o que nos sobra são “ideias”. O que o filósofo chama de “ideia” são as pálidas cópias das impressões.

As impressões, portanto, são sempre anteriores às ideias, uma vez que apenas depois de havermos experimentado a impressão podemos ter a ideia.

Impressões Simples e Ideias Complexas

Mas você pode se perguntar como é possível então a fantasia? Qualquer um de nós pode imaginar criaturas fantásticas que jamais existiram… Ora, mesmo que imaginemos uma criatura mítica como um Centauro, por exemplo, temos que admitir que o que forma um centauro, na verdade, não passa de um rearranjo de ideias que obtemos de fontes distintas. Juntamos partes de um cavalo a um homem e produzimos uma ideia que não condiz com nenhuma impressão na sua totalidade, mas podemos decompor nossas ideias complexas em várias impressões simples. Veja que, com a impressão do rabo de peixe e a impressão da mulher, eu posso formar a ideia de uma sereia mesmo que eu jamais tenha visto uma sereia. Mas é necessário que eu já tenha visto um rabo de peixe e uma mulher.

Isso significa que nossas impressões são simples e que não podem ser decompostas. As impressões representam a unidade mínima de nossa capacidade de apreender o mundo. Já as ideias são estruturas complexas que podemos reorganizar de maneiras distintas daquelas em que encontramos seus correlatos do mundo.

A partir da experiência, ou seja, das sensações, produzimos ideias que conseguimos articular e transformar em conceitos. Mas tudo isso, dizia Hume, se deve ao fato de que tivemos uma experiência sensível no mundo.

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