História da Arte: Realismo

Mulheres peneirando trigo, 1854- 55, Gustave Courbet.
Disponível em: https://www.wikiart.org/pt/gustave-courbet/mulheres-peneirando-trigo-1855.
Data de acesso: 19/08/2019

Período: século XIX

Nos últimos anos, registros de cenas do nosso dia a dia, principalmente através de celulares e iPhones, parecem ter se tornado cada vez mais recorrentes, não é mesmo? Mas, na história das imagens, nem sempre foi assim. Ao observarmos a pintura Mulheres peneirando trigo, de Gustave Courbet, podemos admirar a habilidade do artista ao representar três personagens concentrados em suas atividades cotidianas. Assim como nos perguntarmos por qual razão o artista decidiu esconder o rosto da personagem da personagem localizada no centro da imagem.

No entanto, para o público da época de Courbet, o maior questionamento não era esse, mas sim: “Por que representar algo tão banal?” ou “O que existe nesta cena que mereça ser representado?”. Se compararmos as temáticas que inspiravam o Neoclassicismo e o Romantismo (fatos históricos, cenas mitológicas ou literárias), o tema escolhido pelo artista para ser representado parece, de fato, “simplório” e “pouco importante”, já que se trata de uma representação do dia a dia de trabalhadores comuns. Mas, para Courbet, tratava-se justamente disso! Ele acreditava que a missão dos artistas deveria ser a de registrar a realidade do seu tempo, do modo como ela se apresentava, e não a de pintar cenas imaginárias. Para ele, pinturas neoclássicas e românticas nada mais eram do que tentativas de fuga do mundo real, ou seja, idealizações.

Por isso, Courbet é um artista fundamental para o surgimento do Realismo. Uma anedota, que se tornou muito conhecida, pode nos ajudar a compreender um pouco mais sobre o seu desejo artístico. Conta-se que um padre encomendou a ele uma pintura no interior de uma igreja. Ao sugerir ao artista a pintura de alguns anjos, Courbet teria respondido: “Nunca vi anjos. Mostre-me um e eu o pintarei”. Assim, para ele, apenas o mundo visível, comprovado pelos sentidos, deveria ser representado.

Principais características do Realismo:

► rejeição da arte idealizada e, consequentemente, dos temas
religiosos, históricos, literários e mitológicos.

► desejo de registrar a realidade.

► temáticas da vida cotidiana moderna e da condição de vida dos trabalhadores.

Outras obras importantes de Gustave Courbet:

► Os quebradores de pedra, 1849

► Bom dia, Senhor Courbet, 1854

► Mulheres à margem do Sena; Verão, 1857

Fotografia: crise artística?

Retrato de Ellen Terry, 1864, Julia Margaret Cameron.
Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ellen_Terry
Data de acesso: 19/08/2019

Em momentos de crise, precisamos ser criativos e buscar novos rumos, que nos conduzam às soluções desejadas, concordam? Pois bem, os artistas do século XIX enfrentaram uma grande crise, ocasionada pelo surgimento da fotografia. Durante muitos séculos, o artista era o único profissional capaz de representar a realidade.

Por isso, antes da fotografia, caso a atriz Ellen Terry desejasse ter um retrato seu, deveria contratar um artista, passar horas e horas em uma pose imóvel, além de precisar arcar com os altos custos que envolveriam essa encomenda. Em contrapartida, seu retrato fotográfico, realizado por Julia Cameron, foi produzido de modo muito mais rápido, barato e ainda mais fiel à realidade do que um pintor faria.

Desse modo, se a fotografia passou a desempenhar a atividade dos artistas, por que continuar produzindo arte? O caminho escolhido por alguns artistas, ao perceberem que a arte não tinha mais o compromisso de reproduzir a realidade, foi o de criar novos modos de representação (aqueles que a fotografia não era capaz). Com isso, surgem grandes inovações no universo artístico, impulsionadas justamente por esse grande dilema. Viram como uma crise também pode ser positiva?

Retrato de Berthe Morisot, 1872, Édouard Manet.
Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/%C3%89douard_Manet
Data de acesso: 19/08/2019

Um dos primeiros artistas a sentir o impacto das mudanças ocasionadas pela fotografia no universo artístico, foi Édouard Manet. Sua contribuição, nesse contexto, diz respeito às inovações trazidas pela sua maneira de pintar. Suas pinceladas, anteriormente realizadas de modo convencional, tornam-se mais amplas e soltas. Como, por exemplo, no retrato da também artista Berthe Morisot. Perceba como o artista não representa cada detalhe de sua modelo, mas nos apresenta uma ideia geral dos traços do seu rosto e suas roupas. Dessa forma, Manet encara a pintura em sua materialidade: ela é tinta sobre tela, e não precisa negar isso por meio de um acabamento minucioso, que esconde a marca dos pincéis sobre a tela, como era usual nas pinturas daquele período. Apesar de ter influenciado muito a produção dos artistas impressionistas, Manet nunca se considerou um deles.

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