Grécia Antiga – Introdução

Diz-se da Grécia Antiga: “foi o berço da civilização ocidental”. A frase é velha e seu significado tão velho quanto. Mas será que ela é verdadeira? Temos muitas coisas a dever aos gregos antigos – nossa democracia, nosso apreço aos jogos olímpicos, a herança filosófica, etc. – mas também temos muitas coisas a dever a outros povos, ocidentais e orientais. Enfim, de qualquer forma, boa parte de nossa cultura foi moldada no mundo grego antigo. E como surgiu esse mundo antigo grego?

Podemos dividir o mundo grego em:

De acordo com o esquema, o período mais antigo é o Homérico. Seu nome foi dado por conta do poeta Homero, que escreveu as obras Ilíada e Odisseia, poemas épicos que contavam o surgimento da civilização grega. Normalmente, estudamos com maior profundidade os períodos Clássico e Helenístico.

É importante compreender que a formação grega surgiu da união de diferentes elementos sociais e culturais. Isso porque, na sua formação, conforme temos conhecimento, quatro povos distintos ocupavam a região que hoje conhecemos como Grécia Antiga: Jônios, Aqueus, Eólios e Dórios. Um povo que surgiu de uma miscigenação de várias etnias: parece familiar?

Muita gente considera que a formação grega pode ser relacionada com uma aproximação mais ou menos verdadeira com a formação de nosso país, Brasil. Em certa medida, faz sentido. Tanto o Brasil quanto a Grécia Antiga são espaços geográficos em que povos diferentes tiveram uma unidade cultural. A grande diferença está na palavra “Estado”.

O Brasil atual é considerado uma nação, ou seja, um Estado organizado nos moldes modernos, com um povo que se considera brasileiro, com uma identidade nacional bem ou mal moldada. Esse sentimento dificilmente poderia ser compartilhado pelos gregos. Talvez aí more um dos principais elementos da cultura grega: a sua organização política.

O mundo grego foi, já logo depois do período Homérico, organizado em diferentes cidades, autônomas e diferentes entre si. A estas cidades foi dado o nome de pólis. Não é incomum que algumas pessoas traduzam a palavra pólis para Cidade-Estado. Isso significa dizer que cada cidade grega tinha um caráter organizacional mais ou menos parecido com um Estado. Não quer dizer que as pólis eram miniaturas de estados modernos, mas que eram parecidas com nossos estados. Noutras palavras, dizemos que a pólis tinha autonomia política, social e econômica para fazer o que bem entendesse. Havia pólis democráticas, tirânicas, mais ou menos organizadas militarmente. Tudo isso de forma individual – cada uma em seu quadrado!

Assim, a Grécia Antiga que conhecemos hoje só é “Grécia” porque nós assim a denominados. Naquele período, a Grécia não passava de um aglomerado de diferentes pólis, dialogando entre si, e, por vezes, ocasionando atritos.

Algumas pólis ficaram famosas ao longo da História porque participaram de conflitos bélicos (guerras) com outras. Por outro lado, algumas pólis ficaram famosas por suas formas de organização interna, política, social e econômica. Creta é um exemplo de pólis muito famosa pela importância do comércio marítimo desempenhado por certo tempo no mundo antigo. Já Esparta e Atenas são famosas pelas duas características: interna e externa.