Genética das Populações

Como mencionado anteriormente, a síntese moderna enfatiza a evolução como mudança nas frequências alélicas de uma população. É possível estimar as frequências alélicas em indivíduos que se cruzam dentro de uma população geograficamente definida (chamada de população mendeliana). Além de frequências alélicas, também podemos falar em frequências genotípicas. A frequência de um determinado alelo pode ser calculada com a seguinte fórmula:

Perceba que a frequência de uma alelo corresponde ao número de cópias desse alelo na população dividido pelo número total de alelos desse gene que existem na população. Vamos ver um exemplo para ficar mais claro. Imagine que, em uma população, exista um gene com dois possíveis alelos (“A” e “a”). Nessa população, existem 1000 indivíduos, sendo que desses, 240 possuem o genótipo homozigoto dominante AA, 400 possuem o genótipo heterozigoto Aa e 360 o genótipo homozigoto recessivo aa. Como saber a frequência de A e de a? Vamos usar a fórmula, começando com o alelo A. Se temos 240 indivíduos AA, isso significa que temos 480 alelos A, uma vez que cada indivíduos AA possui dois alelos A. Além disso, temos 400 indivíduos Aa, mas como esses só possuem um alelo A, adicionamos mais 400 alelos A em nossa conta. Como os indivíduos aa não possuem alelos A, eles não somam alelos desse tipo na conta. Somando o número de alelos dos indivíduos AA (480) com os alelos dos indivíduos Aa (400), temos um total de 880 alelos do tipo A nessa população. Para ter a frequência do alelo A, então dividimos esse valor pelo número total de alelos da população. O número total de alelos nesse caso é de 2000, porque em uma população com 1000 indivíduos, cada um com dois alelos, temos o valor de 2000. A fórmula vai ficar, então, com o seguintes valores:

E o resultado é:

A frequência do alelo A é, portanto, de 0,44 ou 44%.

E a frequência do alelo a? Bem, você poderia utilizar o mesmo raciocínio, mas alterando os valores na fórmula de acordo com o total de alelos a, ou poderia simplesmente utilizar a fórmula p + q = 1. Nessa fórmula, p representa a frequência do alelo A e q a do alelo a. Então ficaria 0,44 + q = 1. Nesse caso, o valor de q é de 0,56, ou seja, 56% de alelos a nessa população.

As frequências alélicas também podem ser chamadas de frequências gênicas. Não confunda essas frequências com a frequência genotípica, que é a frequência de cada genótipo na população. Em nosso exemplo com os alelos “A” e “a”, existem três genótipos possíveis: AA, Aa e aa. Para calcular a frequência de cada um desses genótipos, podemos utilizar a seguinte fórmula:

Pegando os valores informados para o número de indivíduos com cada um desses genótipos anteriormente, sabemos que na população existem 240 indivíduos AA, 400 indivíduos Aa e 360 indivíduos aa. Vamos descobrir, utilizando a fórmula, a frequência de indivíduos AA. Vai ficar assim:

Resultado:

A frequência do genótipo (genotípica) AA é, então, 0,24 ou 24%. Utilizando a mesma fórmula para os outros dois genótipos, você encontra uma frequência de 0,4 (40%) para o genótipo Aa e 0,36 (36%) para o genótipo aa.

Bom, galera, tanto as frequências gênicas como as genotípicas formam a estrutura genética de uma população. As frequências gênicas nos ajudam a compreender a quantidade de variação genética, enquanto as frequências genotípicas mostram a forma como essa variação genética está distribuída entre os diferentes indivíduos.

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