Gêneros Textuais Orais

Muito comumente esquecida, a língua em sua manifestação oral é tão importante quanto em sua manifestação escrita, mesmo que cada uma possua as suas próprias peculiaridades. Assim como existem textos escritos e textos orais, também existem gêneros especificamente escritos e gêneros especificamente orais, bem como gêneros que misturam um pouco de cada!

Podemos pensar, por exemplo, em um telejonal em que os apresentadores estão falando, mas que falam a partir de um roteiro. Isso assegura certa rigidez e formalidade a fala, mas, ao mesmo tempo, permite intervenções tipicamente orais, como pequenos comentários em relação as notícias.

Um bom exemplo da alteração em um telejornal entre a oralidade e a escrita ocorreu em 2011, quando os apresentadores e a repórter são interrompidos por manifestantes, ao vivo, e a jornalista Sandra Annenberg comenta o caso como “deselegante”. Algo que acabou virando um “meme” na internet.

Além desse exemplo, podemos também olhar para a literatura ou a música, pois ambas as artes, muitas vezes, apropriam-se da oralidade para gerar certos efeitos, como uma aproximação entre narrador e leitor ou mesmo a identificação do narrador/eu-lírico de acordo com determinado contexto social e/ou regional. Um bom exemplo do uso da oralidade é a canção “Tiro ao Álvaro”, do compositor Adoniram Barbosa. Perceba:

Tiro ao Álvaro

De tanto levar
“Frechada” do teu olhar
Meu peito até, parece sabe o quê?
“Táubua” de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furar (não tem mais)

De tanto levar
“Frechada” do teu olhar
Meu peito até
Parece sabe o quê ?
“Táubua” de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furar (não tem mais)

Teu olhar mata mais do que bala de carabina
Que veneno estriquinina
Que peixeira de baiano
Teu olhar mata mais que atropelamento de “automóver”
Mata mais que bala de “revórver”

Adoniran Barbosa. Tiro ao Álvaro.
Disponível em: https://www.letras.mus.br/adoniran-barbosa/43970/
Data de acesso: 18/03/2019.

Portanto, não podemos nos enganar! Não se trata de pouco conhecimento do autor ou de um texto de menor qualidade. O uso da oralidade na escrita deve ser visto como um elemento estilístico sobretudo em manifestações artísticas, mas cuidado para não sair misturando as duas modalidades de uso da língua quando o que é solicitado de você é o uso de apenas uma (como na escrita de uma redação de vestibular!).

Além disso, é importante que você não confunda oralidade com informalidade, isto é, não é porque um texto é oral que ele será informal. Nesse sentido, podemos pensar, por exemplo, no gênero apresentação, que é o gênero utilizado na apresentação de seus trabalhos na escola, por exemplo. Esse gênero, embora oral, solicita certa formalidade na fala do enunciador, diferentemente de uma conversa telefônica. Portanto, o que podemos concluir é que, assim como na escrita, a oralidade pode se manifestar por meio de diversos gêneros, no entanto, devemos, mais uma vez, assim como na escrita, atentar para utilizá-los de forma adequada ao contexto em que eles são produzidos e circulam!

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