Espaço Rural

No período Neolítico, por volta de 10 mil anos a.C., o homem experimentou uma nova forma de viver, o que deu origem às civilizações: ele começou a domesticar plantas e animais e, desta forma, deu início a uma forma mais sedentária de vida. Assim, em vez de depender do que a natureza pudesse dar, o homem passou a explorar essa natureza, introduzindo uma economia produtiva. É o momento da Primeira Revolução Agrícola. Ao longo dos tempos, novas técnicas de produção e de criação foram descobertas, aumentando a capacidade de produção e permitindo a sobrevivência das sociedades por mais tempo. O aumento da capacidade produtiva, além de garantir o aumento populacional, trouxe a produção de excedentes. Posteriormente, estes excedentes começaram a ser comercializados em pontos determinados, originando os primeiros núcleos urbanos, onde, além da atividade comercial, surgiram novas atividades e novas profissões, mas as sociedades continuaram a ser eminentemente rurais. Até o século XVIII, elas viviam basicamente da agricultura e do comércio, tanto local quanto regional e até mesmo mundial, em razão das grandes navegações e do mercantilismo.

Até o advento da Revolução Industrial, as sociedades viviam basicamente da agricultura, o que significa que a base econômica estava no campo. As cidades eram o lugar do mercado e do controle político-militar e isso estabelecia uma relação de oposição entre o campo e a cidade. Mas, com a Revolução Industrial, a cidade passa a desempenhar o papel de um espaço de produção mais efetivo, estabelecendo, a partir daí, uma relação de complementaridade entre o campo e ela. Gradativamente, o campo fica subordinado à cidade.

A partir da Revolução Industrial, a agricultura alcançou um nível técnico e científico que permitiu aumentar a produção sem aumentar a área de cultivo. À medida que se desenvolvia o capitalismo, desenvolviam-se as cidades, alterando profundamente as relações entre as cidades e o campo, como também a relação entre os lugares. Agora é a sociedade industrial que passa a comandar o espaço geográfico. Assim, é imperativo que o campo passe a fornecer as matérias-primas para as indústrias e os alimentos para as cidades, bem como a mão de obra. Antes disso, os camponeses vendiam parte de sua produção (os seus excedentes) nas feiras e burgos. Sua preocupação primeira era a sua subsistência, sendo tipicamente policultores. Porém, a Revolução Industrial trouxe outra mudança: os objetivos da produção agrícola. Se antes era para a subsistência, sobrando para os mercados os excedentes, agora se produz diretamente nas cidades aqueles produtos que oferecem um melhor preço. Surge, então, a especialização da produção e a tendência à monocultura.

A agropecuária capitalista atrelou a produção agrícola ao meio urbano-industrial, tornando-se dependente da indústria para a obtenção de insumos, sementes, adubos agrotóxicos, fertilizantes e máquinas. A terra e o seu controle se tornam fundamentais para esse processo. Dá-se, assim, a industrialização da agropecuária.

A agricultura possui uma alta dependência dos meios naturais, entre eles: solos, climas e recursos hídricos. Com os avanços das técnicas e dos equipamentos, o homem vem tentando e, em alguns casos, conseguindo, driblar essa dependência.

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