Egito

O Egito, por sua vez, também é considerado uma sociedade hidráulica, pois se localizava nas margens do rio Nilo, no nordeste do continente africano. Alguns historiadores costumam chamar essa sociedade de “dádiva do Nilo”, pela importância do rio para o desenvolvimento deste povo.

O Estado como organizador da sociedade surge no Egito da mesma necessidade que deu origem às cidades-estados na Mesopotâmia, ou seja, para organizar e construir grandes obras públicas para o domínio dos rios. A hierarquização social é uma característica da sociedade egípcia, nesta dinâmica os considerados privilegiados eram os nobres,os sacerdotes e os funcionários do Estado; enquanto o restante da população, composta por artesãos, camponeses e escravos, eram destinados ao trabalho braçal.

Outra característica da sociedade egípcia é a relação dos indivíduos com a religião e a influência disso em suas vidas. Ao contrário da mesopotâmia, os chefes de estado egípcios não eram representantes dos deuses na terra, eles eram os próprios deuses. Portanto, o Faraó era considerado, por toda a população, um deus vivo na terra, o que culminou com o surgimento de rituais religiosos, oferendas e festas destinadas a ele. Essa mistura entre o poder político e o poder de um deus vivo deu origem ao teocentrismo, ou seja, a concepção de que “o deus está no centro de tudo”.

A crença na vida após a morte embasou a construção das grandes pirâmides, que funcionavam como túmulo dos faraós. Nelas, além do corpo do faraó mumificado, eram guardados inúmeros pertences dele, como objetos preciosos, móveis e demais riquezas, a fim de assegurar que na próxima vida o conforto do faraó estivesse garantido.

No campo das ciências, os egípcios buscaram resolver os problemas vividos pela população no dia a dia. Por exemplo, para realizar grandes obras, eles desenvolveram os campos da Matemática, Aritmética e Arquitetura; já para combater doenças, pestes e ferimentos causados por animais selvagens que se aproximavam com as cheias do Nilo, desenvolveram a Medicina.

Estamos falando de uma civilização que data de 3200 a.C até 670 a.C. e, por esse motivo, os historiadores costumam dividir este período nas seguintes fases: Antigo Império, Médio Império e Novo Império. A seguir, veremos as características de cada uma delas.

Antigo Império (3200-2000 a.C.): Nesta primeira fase aconteceu a hierarquização da sociedade a partir da consolidação de uma monarquia poderosa e da divinização da figura do Faraó. Foi também neste período que ocorreu a construção das grandes obras de barragens, drenagem e irrigação, que permitiu o domínio da agricultura.

No entanto, os nomos, que eram clãs independentes que existiam antes da unificação do Egito, e os grandes proprietários de terra, passaram a questionar a totalitariedade do poder faraônico, o que gerou uma crise no final do Antigo Império e marcou a passagem para o Médio Império.

Médio Império (2000-1580 a.C.): Nesta segunda fase, a nobreza reconquistou a unidade política ao permitir que membros das camadas sociais inferiores fossem aceitos no exército. O domínio sobre os metais permitiu o desenvolvimento de armas mais potentes e, consequentemente, novas conquistas militares. Essas conquistas trouxeram um período de prosperidade econômica que durou até 1700 a.C.. O final do Médio Império foi marcado pela invasão dos Hicsos, povos nômades originários da Ásia que permaneceram no Egito até 1580 a.C.

Novo Império (1580-1085 a.C): A terceira e última fase foi marcada pela expulsão dos Hicsos e pelo início de uma nova fase de desenvolvimento de novos armamentos e conquistas militares e territoriais. A decadência desse período e do Antigo Egito se deu com a invasão dos Persas (525 a.C.), dos Gregos (332 a.C.) e dos Romanos (30 a.C.).