Efeitos Econômicos e Sociais

O aumento do comércio internacional está relacionado a fatores como a expansão das empresas multinacionais, o desenvolvimento de países de industrialização mais recente (como o México, a China e a Coreia do Sul), o aumento no número de acordos chancelados pela OMC, o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e a redução nos custos de transporte.

A fragmentação da produção está associada à expansão das empresas multinacionais, que passaram a distribuir seu processo produtivo de acordo as vantagens oferecidas por cada país. Por exemplo: uma empresa de automóveis pode projetar seus veículos na Alemanha e montá-los no México utilizando peças fabricadas no Japão.

A globalização não somente permitiu o aumento do fluxo de bens e serviços, mas também possibilitou o aumento nos fluxos financeiros internacionais. A desregulamentação dos mercados financeiros permitiu que investidores internacionais aplicassem seus recursos em diferentes mercados e com uma facilidade sem precedentes. Considerando a natureza especulativa desses recursos, não seria exagero dizer que, em alguns casos, esses fluxos contribuíram para a eclosão de crises financeiras em economias frágeis. Por fim, a globalização também estimulou a formação de blocos econômicos regionais, aspecto que será melhor abordado ao longo do segundo item do capítulo.

Efeitos Sociais

O conceito de “mundo interligado” está relacionado às mudanças promovidas pelas novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC), como a rede mundial de computadores (Internet). Essas NTIC vêm modificando a velocidade de transmissão das informações e difundindo instantaneamente os acontecimentos nas mais diversas regiões do planeta. A rapidez nos fluxos de informação permite uma maior mobilização em torno da opinião pública, bem como implica em mudanças no convívio social e no ambiente de trabalho. Nesse sentido, é interessante notar o papel que as redes sociais tiveram no contexto da
Primavera Árabe.

O desemprego pode ser entendido por duas diferentes óticas. De um lado, o desemprego estrutural está relacionado à substituição de mão-de-obra por equipamentos e máquinas. De outro lado, o desemprego conjuntural está associado à competitividade das empresas. Isto é, se uma empresa acredita que a sua produção não pode mais ser otimizada, acaba demitindo seus trabalhadores ou deslocando sua produção para outras localidades.

Como exemplo, podemos relembrar o conceito de fragmentação produtiva. Empresas multinacionais – como a Nike – acabaram por deslocar seu processo produtivo para países asiáticos (como China, Vietnã, Malásia, Indonésia, Mianmar, etc.), de modo a explorar a mão-de-obra barata que esses países oferecem. Mesmo permanecendo com a

criação e o desenvolvimento nos EUA, é interessante notar que, em alguns casos, algumas regiões dos países de origem das empresas acabam sofrendo com o desemprego gerado por esse deslocamento. Isto quer dizer que o desemprego gerado pela globalização atinge não somente os países em desenvolvimento, mas também os países desenvolvidos. Por exemplo: isso é muito evidente nos EUA na cidade de Detroit (estado de Michigan), pois a cidade, que costumava ser um importante polo industrial, hoje se encontra em uma situação de abandono.

A questão da concentração de riquezas é muito complexa. De uma forma geral, é interessante notar que, se de um lado a expansão do comércio e a ampliação da atuação das empresas multinacionais possibilita o aumento das relações comerciais e do consumo, de outro lado ainda temos um grande contingente de pessoas vivendo em condições de pobreza e até mesmo miséria. De acordo com relatório produzido pela agência da ONU destinada para Alimentação e Agricultura (FAO), o número de pessoas que sofrem com a fome, apesar de ter decaído na última década, ainda é alto: aproximadamente 800 milhões de pessoas. Ou seja, o processo de globalização é contraditório, seletivo e desigual, pois, se uma parcela da humanidade pode usufruir dos produtos oferecidos no mercado globalizado, a outra parcela – localizada, sobretudo, nos países da América Latina, África e Ásia – ainda carece de produtos básicos, como água potável e saneamento básico. Outro aspecto importante é notar que, apesar do aumento dos Investimentos Externos Diretos (IED) em nível global, três quartos desses investimentos destinam-se a operações de fusões e aquisições de empresas, proporcionando a formação de monopólios e oligopólios internacionais.

A crise ambiental encontra-se relacionada aos efeitos do aquecimento global e da emissão de gases do efeito estufa – dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e ozônio (O3). A produção industrial e o consumo de derivados do petróleo explicam o aumento na temperatura do planeta. O nível de consumo dos países industrializados e o expressivo crescimento industrial de países como Índia e China acentuam essa situação. Apesar de pequenos avanços, como a assinatura do Acordo de Paris, a comunidade científica ainda está preocupada com as consequências do aquecimento global.

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