Cruzadas

As cruzadas foram expedições principalmente militares, organizadas pela Igreja, com o objetivo ideológico de recuperar o Santo-Sepulcro em Jerusalém. À época, a chamada Terra Santa estava nas mãos dos turcos seljúcidas, grandes inimigos do já decadente Império Bizantino, que há tempos visava auxílio do Ocidente para defender-se desta ameaça. Entre as motivações políticas do movimento cruzadista, podemos citar a intenção dos reis de aumentarem seu poder através da unificação dos seus nobres contra um inimigo comum, e as intenções da Igreja Católica em ampliar seu poder sobre a Cristandade Oriental representada pelo Império Bizantino. Por fim, como motivações econômicas havia a busca por novos territórios, a fim de assentar os excedentes populacionais da Europa Ocidental, e a reabertura do Mar Mediterrâneo como fronteira comercial, ligando Oriente e Ocidente.

A espinha dorsal dos exércitos cruzadistas era formada por cavaleiros sem terra e servos expurgados. Mulheres e crianças, entrementes, foram colocadas à disposição do esforço de guerra, impulsionados pela motivação ideológica de reaver os territórios perdidos para os “infiéis”. Em 1095, o Papa Urbano II, no Concílio de Clermont, inflama os corações e mentes da Europa contra os muçulmanos, desencadeando, do século XI ao século XIII, uma série de oito expedições.

As consequências mais diretas das Cruzadas para o mundo europeu foram, ao fim e ao cabo, a reabertura do Mediterrâneo e a ascensão das cidades italianas como potências comerciais, sobretudo Veneza e Gênova. Ideologicamente, serviram muito mais para separar do que para unir a cristandade, uma vez que criaram oportunidade para divergências entre interesses de algumas regiões. Este caráter evidenciou-se fortemente na terceira cruzada, por conta das rivalidades entre os soberanos que a comandaram. Do ponto de vista político, fortaleceu o poder dos reis, contribuindo para a legitimação do posterior processo de centralização monárquica. Por fim, a recorrência da Guerra, conduzida pelos nobres, fez com que a maioria deles empobrecesse, ajudando lentamente a deslocar o centro nevrálgico do poder econômico da nobreza para os comerciantes dos burgos.