A Agricultura

A agricultura capitalista moderna baseia-se em dois pontos fundamentais: investimento de capital e produtividade, decorrentes do uso de insumos, maquinário e tecnologia de ponta, independentemente da área cultivada ou da criação. Ela atende aos mecanismos de mercado – lei de oferta e procura – não levando em conta os interesses sociais.

Uma maneira de classificar os sistemas de produção está relacionada à forma de gestão da mão-de-obra. Isso permite distribuir o predomínio da agricultura familiar ou de agricultura empresarial (patronal).

Com base nessas características do atual modelo agropecuário, temos dois díspares sistemas de utilização do solo para finalidades agrícola:

Entre as várias formas de produção agrícola, veja a seguir as cinco que se destacam:

Agricultura Itinerante ou de Subsistência (Roça)

► Uso de queimadas para a preparação do solo;

► Rendimento muito baixo;

► Finalidade: autoconsumo;

► Mão de obra familiar;

► Rotação de terras;

► Esgotamento dos solos e favorecimento da erosão;

► Característica dos países subdesenvolvidos;

► O cooperativismo tem possibilitado o aumento da participação dos praticantes desta modalidade nas exportações de alguns países, como o Brasil.

Fogo, fertilidade enganosa

As queimadas (também conhecidas no Brasil como coivara) são utilizadas com a finalidade de limpar o terreno, eliminar pragas e ervas daninhas. No entanto, o uso do fogo é altamente prejudicial ao solo.

Em geral, após a queimada, ocorre a melhoria na safra, porque as cinzas acrescentam alguns sais solúveis ao solo (potássio e cálcio). No entanto, nos anos seguintes, a chuva lixivia esses nutrientes, tornando o solo mais pobre do que antes e afetando praticantes desta modalidade nas exportações de alguns países, como o Brasil.

Agricultura de Jardinagem

► Praticada principalmente no sul e sudeste da Ásia;

► Praticada em pequenas e médias propriedades;

► Reduzido emprego de máquinas;

► Voltada para a subsistência e para o mercado interno;

► Monções propiciam abundantes chuvas para o cultivo de arroz;

► Pequena disponibilidade de terras e grande subdivisão das propriedades;

► Predomínio de técnicas de adubação, irrigação e terraceamento (figura abaixo);

Plantation

É oriundo do período colonial europeu (século XVI), quando foi introduzido nas colônias tropicais da América Latina, Ásia e África. Portanto, tem origens em características ligadas ao espírito especulativo-mercantil que marcou a colonização europeia nas regiões tropicais. Emprega mão de obra assalariada, trabalho semiescravo ou escravo. Atualmente, é utilizado no Brasil, Colômbia, América Central, Índia, Gana entre outros. As consequências da implantação do sistema de plantation podem ser vistas hoje. É o caso da divisão interna da sociedade em grandes capitalistas e proprietários de um lado e os trabalhadores assalariados ou não do outro. A concentração de terras e o abandono das lavouras de subsistência também são consequências diretas da implementação desse sistema.

► Monocultura agroindustrial destinada à exportação;

► Mão-de-obra numerosa e de baixo custo;

► Grandes propriedades (latifúndios);

► Dependência direta do mercado externo;

► Aparece em zonas tropicais. Como exemplos de plantation podemos citar a cana-de-açúcar (Brasil e Antilhas), o cacau (Brasil, Gana e Costa do Marfim), o café (Brasil, Colômbia e América Central), o chá (Índia e Sri Lanka), a banana (América Central) e a borracha (Malária, Indonésia e Sri Lanka).

Empresa Agrícola

► Grandes e médias propriedades;

► Sistema altamente capitalizado, funciona como uma empresa;

► Grande produtividade e rentabilidade;

► Alto grau de apoio técnico e mecanização;

► Sistemas de regadio;

► Voltada para o mercado interno e externo;

► Mão de obra assalariada (sistema patronal) e qualificada;

► Tende a causar concentração de terras;

► Este sistema predomina no Canadá, Austrália, Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e porções da África do Sul, da Argentina e do Brasil (áreas de cultivo de soja e laranja, por exemplo).

Podemos citar os EUA como o melhor exemplo deste tipo de sistema. A produção especializada deu origem aos cinturões agrícolas (belts), extensas áreas do território destinadas ao cultivo de um produto principal, nas quais se desenvolve uma moderna agricultura comercial. A associação de produtores permite a integração entre agricultura, comércio e indústria, garantindo contratos de exportação, fornecimento de matérias-primas, utilização de tecnologia, máquinas, etc. Os green belts são pequenas propriedades, geralmente em torno das cidades, nas quais se pratica agricultura intensiva para abastecer os centros urbanos.

Cinturões Verdes e Bacias Leiteiras

É a agricultura (geralmente de hortifrutigranjeiros) e pecuária (principalmente destinada a produção de leite e laticínios) de pequenas e médias propriedades que se utilizam de técnicas modernas a fim de aumentar a lucratividade visando atender as necessidades das populações dos grandes centros urbanos ao seu redor. Nestas áreas, após a comercialização da produção, o excedente obtido é aplicado na modernização das técnicas.

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